Psicanálise

PSICANÁLISE

Psicanálise é um campo clínico e de investigação teórica da psicologia desenvolvido por Sigmund Freud, médico neurologista vienense nascido em 1856 que se propõe à compreensão e análise do homem, compreendido enquanto sujeito do inconsciente e abrange três áreas:

1. um método de investigação da mente e seu funcionamento;

2. um sistema teórico sobre a vivência e o comportamento humanos;

3. um método de tratamento psicoterapêutico.

Essencialmente é, assim, uma teoria da personalidade e um procedimento de psicoterapia; a psicanálise, contudo, influenciou muitas outras correntes de pensamento e disciplinas das diversas ciências humanas, gerando uma base teórica para uma forma de compreensão da ética, da moralidade e da cultura humana.

Importante ainda é observar que em linguagem comum, o termo psicanálise é muitas vezes usado como sinônimo de psicoterapia ou mesmo de psicologia. Em linguagem mais própria, no entanto, psicologia refere-se à ciência que estuda o comportamento e os processos mentais, psicoterapia ao uso clínico do conhecimento obtido por ela - ou seja, ao trabalho terapêutico baseado no corpo teórico da psicologia como um todo - e psicanálise refere-se à forma de psicoterapia baseada nas teorias oriundas do trabalho de Sigmund Freud; psicanálise é, assim, um termo mais específico, sendo uma entre muitas outras formas de psicoterapia.

Os primórdios da psicanálise datam de 1882 quando Freud, médico recém formado, trabalhou na clínica psiquiátrica de Theodor Meynert, e mais tarde, em 1885, com o médico francês Charcot, no Hospital Salpêtrière (Paris, França). Sigmund Freud, um médico interessado em achar um tratamento efetivo para pacientes com sintomas neuróticos ou histéricos. Ao escutar seus pacientes, Freud acreditava que seus problemas se originaram da inaceitação cultural, ou seja, seus desejos eram reprimidos, relegados ao inconscientes. Notou também que muitos desses desejos se tratavam de fantasias de natureza sexual. O método básico da psicanálise é o manejo da transferência e da resistência em análise. O analisado, numa postura relaxada, é solicitado a dizer tudo o que lhe vem à mente (método de associação livre). Suas aspirações, angústias, sonhos e fantasias são de especial interesse na escuta, como também todas as experiências vividas são trabalhadas em análise. Escutando o analisado, o analista tenta manter uma atitude empática de neutralidade. Uma postura de não-julgamento, visando a criar um ambiente seguro.

A originalidade do conceito de inconsciente introduzido por Freud deve-se à proposição de uma realidade psíquica, característica dos processos inconscientes. Por outro lado, analisando-se o contexto da época observa-se que sua proposição estabeleceu um diálogo crítico à proposições Wilhelm Wundt (1832 — 1920) da psicologia com a ciência que tem como objeto a consciência entendida na perspectiva neurológica (da época) ou seja opondo-se aos estados de coma e alienação mental. (Goodwin)

Muitos colocam a questão de como observar o inconsciente. Se a Freud se deve o mérito do termo "inconsciente", pode-se perguntar como foi possível a ele, Freud, ter tido acesso a seu inconsciente para poder ter tido a oportunidade de verificar seu mecanismo, já que não é justamente o inconsciente que dá as coordenadas da ação do homem na sua vida diária.

Não é possível abordar diretamente o inconsciente (Ics.), o conhecemos somente por suas formações: atos falhos, sonhos, chistes e sintomas diversos expressos no corpo. Nas suas conferência na Clark University (publicadas como Cinco lições de psicanálise) nos recomenda a interpretação como o meio mais simples e a base mais sólida de conhecer o inconsciente.

Outro ponto a ser levado em conta sobre o inconsciente é que ele introduz na dimensão da consciência uma opacidade. Isto indica um modelo no qual a consciência aparece, não como instituidora de significatividade, mas sim como receptora de toda significação desde o inconsciente. Pode-se prever que a mente inconsciente é um outro "eu", e essa é a grande ideia de que temos no inconsciente uma outra personalidade atuante, em conjuntura com a nossa consciência, mas com liberdade de associação e ação.

Correntes, dissensões e críticas

Diversas dissidências da matriz freudiana foram sendo verificadas ao longo do século XX, tendo a psicanálise encontrado seu apogeu nos anos 50 e 60.

As principais dissensões que passou o criador da psicanálise foram C. G. Jung e Alfred Adler, que participavam da expansão da psicanálise no começo do século XX. C. G. Jung, inclusive, foi o primeiro presidente do Instituto Internacional de Psicanálise (IPA), antes de sua renúncia ao cargo e a seguidor das idéias de Freud. Outras dissidências importantes foram Otto Rank, Erich Fromm. No entanto, a partir da teoria psicanalítica de Freud, fundou-se uma tradição de pesquisas envolvendo a psicoterapia, o inconsciente e o desenvolvimento da práxis clínica, com uma abordagem puramente psicológica.

Desenvolvimentos como a psicoterapia humanista/existencial, psicoterapia reichiana, dentre diversas e tantas terapias existentes, foram, sem dúvida, influenciadas pela tradição psicanalítica, embora tenham conferido uma visão particular para os conteúdos da psicologia clínica.

O método de interpretar os pacientes e buscar a cura de enfermidades físicas e mentais através de um diálogo sistemático/metodológico com os pacientes foi uma inovação trazida por Freud. Até então, os avanços na área da psicoterapia eram obsoletas e tinham um apelo pela sugestão ou pela terapia com banhos, sangrias e outros métodos antigos no combate às doenças mentais.

Sua contribuição para a Medicina, Psicologia, e outras áreas do conhecimento humano (arte, literatura, sociologia, antropologia, entre outras) é inegável. O verdadeiro choque moral provocado pelas ideias de Freud serviu para que a humanidade rompesse, ou pelo menos repensasse muito de seus tabus e preconceitos na compreensão da sexualidade, e atingisse um maior grau de refinamento e profundidade na busca das verdades psíquicas do ser humano.

Na atualidade, a Psicanálise já não se limita à prática e tem uma amplitude maior de pesquisa, centrada em outros temas e cenários, desenvolvendo-se como uma ciência psicológica autônoma. Hoje fica muito difícil afirmar se a Psicanálise é uma disciplina da Psicologia ou uma Psicologia própria.

Após Freud, muitos outros psicanalistas contribuíram para o desenvolvimento e importância da psicanálise. Entre alguns, podemos citar Melanie Klein, Winnicott, Bion e André Green. No entanto, a principal virada no seio da psicanálise, que conciliou ao mesmo tempo a inovação e a proposta de um "retorno a Freud" veio com o psicanalista francês Jacques Lacan. A partir daí outros importantes autores surgiram e convivem em nosso tempo, como Françoise Dolto, Serge André, J-D Nasio e Jacques-Alain Miller.

A teoria psicanalítica foi desenvolvida pelo psiquiatra austríaco Sigmund Freud no fim do século XIX/início do século XX e está intimamente relacionada a sua prática psicoterapêutica. É uma teoria que procura descrever a etiologia dos transtornos mentais, o desenvolvimento do homem e de sua personalidade, além de explicar a motivação humana. Com base nesse corpo teórico Freud desenvolveu um tipo de psicoterapia. Ao conjunto formado pela teoria, a prática psicoterapêutica nela baseada e os métodos utilizados dá-se o nome de psicanálise.

Estrutura e dinâmica da personalidade

Freud imaginava a psique (ou aparelho psíquico) do ser humano como um sistema de energia: Cada pessoa é movida, segundo ele, por uma quantidade limitada de energia psíquica. Isso significa, por um lado, que se grande parte da energia for necessária para a realização de determinado objetivo (ex. expressão artística) ela não estará disponível para outros objetivos (ex. sexualidade); por outro lado, se a pessoa não puder dar vasão à sua energia por um canal (ex. sexualidade), terá de fazê-lo por outro (ex. expressão artística). Essa energia provém das pulsões (às vezes chamadas incorretamente de instintos). Segundo o autor, o ser humano possui duas pulsões inatas, a sexual e a agressiva. Essas duas pulsões opõem-se ao ideal da sociedade e, por isso, precisam ser controladas através da educação, de forma que a energia gerada pelas pulsões não podem ser liberadas de maneira direta. O ser humano é, assim, sexual e agressivo por natureza e a função da sociedade é amansar essas tendências naturais do homem. O não poder dar vazão a essa energia gera no indivíduo um estado de tensão interna que necessita ser resolvido. Toda ação do homem é motivada, assim, pela busca hedonista de dar vazão à energia psíquica acumulada[1].

Os níveis da consciência ou modelo topológico da mente

O ser humano, no entanto, não se dá conta de todo esse processo de geração e liberação de energia. Para explicar esse fato, Freud descreve três níveis de consciência[1]:

• O consciente (al. das Bewusste), que abarca todos os fenômenos que em determinado momento podem ser percebidos de maneira conscientes pelo indivíduo;

• O pré-consciente (al. das Vorbewusste), refere-se aos fenômenos que não estão conscientes em determinado momento, mas podem tornar-se, se o indivíduo desejar se ocupar com eles;

• O inconsciente (al. das Unbewusste), que diz respeito aos fenômenos e conteúdos que não são conscientes e somente sob circunstâncias muito especiais podem tornar-se. (O termo subconsciente é muitas vezes usado como sinônimo, apesar de ter sido abandonado pelo próprio Frued.)

Freud não foi o primeiro a propor que parte da vida psíquica se desenvolve inconscientemente. Ele foi, no entanto, o primeiro a pesquisar profundamente esse território. Segundo ele, os desejos e pensamentos humanos produzem muitas vezes conteúdos que causariam medo ao indivíduo, se não fossem armazenados no inconsciente. Este tem assim uma função importantíssima de estabilização da vida consciente. Sua investigação levou-o a propor que o inconsciente é alógico (e por isso aberto a contradições); atemporal e aespacial (ou seja, conteúdos pertencentes a épocas ou espaços diferentes podem estar próximas). Os sonhos são vistos como expressão simbólica dos conteúdos inconscientes.

Através da compreensão do conceito de inconsciente torna-se clara a compreensão da motivação na psicanálise clássica: Muitos desejos, sentimentos e motivos são inconscientes, por serem muitos dolorosos para se tornarem conscientes. No entanto esse conteúdo inconsciente influencia a experiência consciente da pessoa, por exemplo, através de atos falhos, comportamentos aparentemente irracionais, emoções inexplicáveis, medo, depressão, sentimento de culpa. Assim, os sentimentos, sonhos, desejos e motivos inconscientes influenciam e guiam o comportamento consciente.

Modelo estrutural da personalidade

Freud desenvolveu mais tarde (1923) um modelo estrutural da personalidade, em que o aparelho psíquico se organiza em três estruturas[1][2]:

Id (al. es, "ele, isso"): O id é a fonte da energia psíquica (libido). O id é formado pelas pulsões - instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes. Ele funciona segundo o princípio do prazer (al. Lustprinzip), ou seja busca sempre o que produz prazer e evita o que é aversivo, e somente segundo ele. Não faz planos, não espera, busca uma solução imediata para as tensões, não aceita frustrações e não conhece inibição. Ele não tem contato com a realidade e uma satisfação na fantasia pode ter o mesmo efeito de uma atingida través de uma ação. O id desconhece juízo, lógica, valores, ética ou moral, sendo exigente, impulsivo, cego irracional, anti-social, egoísta e dirigido ao prazer. O id é completamente inconsciente.

Ego (al. ich, "eu"): O ego desenvolve-se a partir do id com o objetivo de permitir que seus impulsos sejam eficientes, ou seja, levando em conta o mundo externo: é o chamado princípio da realidade. É esse princípio que introduz a razão, o planejamento e a espera ao comportamento humano: a satisfação das pulsões é retardada até o momento em que a realidade permita satisfazê-las com um máximo de prazer e um mínimo de consequências negativas. A principal função do ego é buscar uma harmonização inicialmente entre os desejos do id e a realidade e, posteriormente, entre esses e as exigências do superego.

Superego (al. Überich, "super-eu"): É a parte moral da mente humana e representa os valores da sociedade. O superego tem três objetivos: (1) inibir (através de punição ou sentimento de culpa) qualquer impulso contrário às regras e ideais por ele ditados (2) forçar o ego a se comportar de maneira moral (mesmo que irracional) e (3) conduzir o indivíduo à perfeição - em gestos, pensamentos e palavras. O superego forma-se após o ego, durante o esforço da criança de introjetar os valores recebidos dos pais e da sociedade a fim de receber amor e afeição. Ele pode funcionar de uma maneira bastante primitiva, punindo o indivíduo não apenas por ações praticadas, mas também por pensamentos; outra característica sua é o pensamento dualista (tudo ou nada; certo ou errado, sem meio-termo). O superego divide-se em dois subsistemas: o ego ideal, que dita o bem ser procurado, e consciência (al. Gewissen), que determina o mal a ser evitado.

Os Mecanismos de Defesa

O ego está, assim, constantemente sob tensão na sua tentativa de harmonizar a ação do id, do mundo exterior e do superego. Quando essa tensão, normalmente sob a forma de medo, se torna grande demais que ameaça a estabilidade do ego, este poder fazer uso dos mecanismos de defesa ou ajustamentos. Estes são estratégias do ego para diminuir o medo através de uma deformação da realidade - dessa forma o ego exclui da consciência conteúdos indesejados. O mecanismos de defesa satisfazem os desejos do id apenas parcialmente, mas, para este, uma satisfação parcial é melhor do que nenhuma. Freud descreveu muitos mecanismos de defesa no decorrer da sua obra e seu trabalho foi continuado por sua filha Anna Freud; os principais mecanismos são[3]:

• Repressão é o processo pelo qual se afastam da consciência conflitos e frustrações demasiadamente dolorosos para serem experimentados ou lembrados, reprimindo-os e recalcando-os para o inconsciente; o que é desagradável é, assim, esquecido;

• Formação Reativa: consiste em ostentar um procedimento e externar sentimentos opostos aos impulsos verdadeiros, indesejados.

• Projeção consiste em atribuir a outros as idéias e tendências que o sujeito não pode admitir como suas.

• Regressão consiste em a pessoa retornar a comportamentos imaturos, característicos de fase de desenvolvimento que a pessoa já passou.

• Fixação é um congelamento no desenvolvimento, que é impedido de continuar. Uma parte da libido permanece ligada a um determinado estágio do desenvolvimento e não perite que a criança passe completamente para o próximo estádio. A fixação está relacionada com a regressão, uma vez que a probabilidade de uma regressão a um determinado estádio do desenvolvimento aumenta se a pessoa desenvolveu uma fixação nesse estádio.

• Sublimação é a satisfação de um impulso inaceitável através de um comportamento socialmente aceito.

• Identificação é o processo pelo qual um indivíduo assimila um aspecto, uma característica de outro. Uma forma especial de identificação é a identificação com o agressor.

• Deslocamento é o processo pelo qual agressões ou outros impulsos indesejáveis, não podendo ser direcionados à(s) pessoa(s) a que se referem, são direcionadas a terceiros.

As fases do desenvolvimento psicosexual

Uma importante parte da teoria freudiana é dedicada ao desenvolvimento da personalidade. Duas hipóteses caracterizam sua teoria[3]:

• Freud foi o primeiro a afirmar que os primeiros anos das vida são os mais importantes para o desenvolvimento da pessoa e

• o desenvolvimento do indivíduo se dá em fases ou estádios psico-sexuais. Freud foi, assim, o primeiro autor a afirmar que as crianças também têm uma sexualidade.

Freud descreve quatro fases distintas, pelas quais a criança passa em seu desenvolvimento. Cada uma dessas fases é definida pela região do corpo a que as pulsões se direcionam. Em cada fase surgem novas necessidades que exigem ser satisfeitas; a maneira como essas necessidades são satisfeitas determina como a criança se relaciona com outras pessoas e quais sentimentos ela tem para consigo mesma. A transição de uma fase para outra é biologicamente determinada, de tal forma que uma nova fase pode iniciar sem que os processos da fase anterior tenha se completado. As fases se seguem umas às outras em uma ordem fixa e, apesar de uma fase se desenvolver a partir da anterior, os processos desencadeados em uma fase nunca estão plenamente completos e continuam agindo durante toda a vida da pessoa[3].

A fase oral

A primeira fase do desenvolvimento é a fase oral, que se estende desde o nascimento até aproximadamente um ano de vida. Nessa fase a criança vivencia prazer e dor através da satisfação (ou frustação) de pulsões orais, ou seja, pela boca. Essa satisfação se dá independente da satisfação da fome. Assim, para a criança sugar, mastigar, comer, morder, cuspir etc. têm uma função ligada ao prazer, além de servirem à alimentação. Ao ser confrontada com frustações a criança é obrigada a desenvolver mecanismos para lidar com tais frustações. Esses mecanismos são a base da futura personalidade da pessoa. Assim, uma satisfação insuficiente das pulsões orais pode conduzir a uma tendência para ansiedade e pessimismo; já uma excessiva satisfação pode levar, através de uma fixação nessa fase, a dificuldades de aceitar novos objetos como fonte de prazer/dor em fases posteriores, aumentando assim a probabilidade de uma regressão[3].

A fase oral se divide em duas fases menores, definidas pelo nascimento dos dentes. Até então a criança se encontra em uma fase passiva-receptiva; com os primeiros dentes a criança passa a uma fase sádica-ativa através da possibilidade de morder. O principal objeto de ambas as fases, o seio materno, se torna, assim, um objeto ambivalente. Essa ambivalência caracteriza a maior parte dos relacionamentos humanos, tanto com pessoas como com objetos[3].

A fase oral apresenta, assim, cinco modos de funcionamento que podem se desenvolver em características da personalidade adulta[3]:

1. O incorporar do alimento se mostra no adulto como um "incorporar" de saber ou poder, ou ainda como a capacidade de se identificar com outras pessos ou de se integrar em grupos;

2. O segurar o seio, não querendo se separar dele, se mostram posteriormente como persistência e perseverança ou ainda como decisão;

3. Morder é o protótipo da destrutividade, assim do sarcasmo, cinismo e tirania;

4. Cuspir se transforma em rejeição e

5. O fechar a boca, impedindo a alimentação, conduz a rejeição, negatividade ou introversão.

O principal processo na fase oral é a criação da ligação entre mãe e filho[3].

A fase anal

A segunda fase, segundo Freud, é a fase anal, que vai aproximadamente do primeiro ao terceiro ano de vida. Nessa fase a satisfação das pulsões se dirige ao ânus, ao controle da tensão intestinal. Nessa fase a criança tem de aprender a controlar sua defecação e, dessa forma, deve aprender a lidar com a frustração do desejo de satisfazer suas necessidades imediatamente. Como na fase oral, também os mecanismos desenvolvidos nesta fase influenciam o desenvolvimento da personalidade. O defecar imediato e descontrolado é o protótipo dos ataques de raiva; já uma educação muito rígida com relação à higiene pode conduzir tanto a uma tendência ao caos, aos descuido, à bagunça quanto a uma tendência a uma organização compulsiva e exageradamente controlada. Se a mãe faz elogios demais ao fato de a criança conseguir esperar até o banheiro, pode surgir uma ligação entre dar (as fezes) e receber amor, e a pessoa pode desenvolver generosidade; se a mãe supervaloriza essas necessidades biológicas, a criança pode se desenvolver criativa e e produtiva ou, pelo contrário, se tornar depressiva, caso ela não corresponda às expectativas; crianças que se recusam a defecar podem se desenvolver como colecionadores, coletores ou avaros[3].

A fase fálica

A fase fálica, que vai dos três aos cinco anos de vida, se caracteriza segundo Freud pela importância da presença (ou, nas meninas, da ausência) do falo ou pênis; nessa fase prazer e desprazer estão, assim, centrados na região genital. As dificuldades dessa fase estão ligadas ao direcionamento da pulsão sexual ou libidinosa ao genitor do sexo oposto e aos problemas resultantes. A resolução desse conflito está relacionada ao complexo de Édipo e à identificação com o genitor de mesmo sexo[3].

Freud desenvolveu sua teoria tendo sobretudo os meninos em vista, uma vez que, para ele, estes vevnciariam o conflito da fase fálica de maneira mais intensa e ameaçadora. Segundo Freud o menino deseja nessa fase ter a mãe só para si e não partilhá-la mais com o pai; ao mesmo tempo ele teme ser que o pai se vingue, castrando-o. A solução para esse conflito consiste na repressão tanto do desejo libidinoso com relação à mãe como dos sentimentos agressivos para com o pai; em um segundo momento realiza-se a identificação do menino com seu pai, o que os aproxima e conduz, assim, a uma internalização por parte do menino dos valores, convicções, interesses e porturas do pai. O complexo de Édipo representa um importante passo na formação do superego e na socialização dos meninos, uma vez que o menino aprende a seguir os valores dos pais. Essa solução de compromisso permite que tanto o ego (através da diminuição do medo) e o id (por o menino poder possuir a mãe indiretamente através do pai, com o qual ele se identifica) sejam parcialmente satisfeitos[3].

O conflito vivenciado pelas meninas é parecido, mas menos intenso. A menina deseja o próprio pai, em parte devido à inveja que sente por não ter um pênis (al. Penisneid); ela sente-se castrada e dá a culpa à própria mãe. Por outro lado, a mãe representa uma ameaça menos séria, uma vez que uma castração não é possível. Devido a essa situação diferente, a identificação da menina com a própria mãe é menos forte do que a do menino com seu pai e, por isso, as meninas teriam uma consciência menos desenvolvida - afirmação esta que foi rejeitada pela pesquisa empírica[3]. Freud usou o termo "complexo de Édipo" para ambos os sexos; autores posteriores limitaram o uso da expressão aos meninos, reservando para as meninas o termo "complexo de Electra".

A apresentação do complexo de Édipo dada acima é, no entanto, simplificada. Na realidade o resultado da resolução do complexo de Édipo é sempre um identificação como ambos os pais e a força de cada uma dessas identificações depende de diferentes fatores, como a relação entre os elementos masculinos e femininos na predisposição fisiológica da criança ou a intensidade do medo de castração ou da inveja do pênis. Além disso, a mãe mantém em ambos os sexos um papel primordial, permanecendo sempre o principal objeto da libido[3].

O período de latência

Depois da agitação dos primeiros anos de vida segue-se uma fase mais tranquila que se estende até a puberdade. Nessa fase as fantasias e impulsos sexuais são reprimidos, tornando-se secundários, e o desenvolvimento cognitivo e a assimilação de valores e normas sociais se tornam a atividade principal da criança, continuando o desenvolvimento do ego e do superego[3].

A fase genital

A última fase do desenvolvimento psicossocial é a fase genital, que se dá durante a adolescência. Nessa fase as pulsões sexuais, depois da longa fase de latência e acompanhando as mudanças corporais, despertam-se novamente, mas desta vez se dirigem a uma pessoa do sexo oposto. Como se depreende da explanação anterior, a escolha do parceiro não se dá independente dos processos de desenvolvimento anteriores, mas é influenciada pela vivência nas fases anteriores. Além disso, apesar de continuarem agindo durante tod a vida do indivíduo, os conflitos internos típicos das fases anteriores atingem na fase genital uma relativa estabilidade conduzindo a pessoa a uma estrutura do ego que lhe permite enfrentar os desafios da idade adulta[3].

A teoria psicanalítica dos transtornos mentais

A melhor maneira de definir “distúrbio” é caracterizá-lo como deficiência psicológica com repercussão na área emocional e interpessoal. Este termo caracteriza uma faixa que vai desde formas neuróticas leves até a loucura, na plenitude do seu termo. "Normal" seria aquela personalidade com capacidade de viver eficientemente, manter um relacionamento duradouro e emocionalmente satisfatório com outras pessoas, trabalhar produtivamente, repousar e divertir-se, ser capaz de julgar realisticamente suas falhas e qualidades, aceitando-as. A falha de uma ou outra dessas características pode indicar a presença de uma deficiência psicológica ou “distúrbio” mental.

Classificam-se os distúrbios mentais em 3 grandes tipos básicos:

1º Tipo: Neuroses

É a existência de tensão excessiva e prolongada, de conflito persistente ou de uma necessidade longamente frustrada, é sinal de que na pessoa se instalou um estado neurótico. A neurose determina uma modificação, mas não uma desestruturação da personalidade e muito menos de perda de valores da realidade. Costuma-se catalogar os sintomas neuróticos em certas categorias, como:

a) Ansiedade - a pessoa é tomada por sentimentos generalizados e persistente de intensa angústia sem causa objetiva. Alguns sintomas são: palpitações do coração, tremores, falta de ar, suor, náuseas. Há uma exagerada e ansiosa preocupação por si mesmo.

b) Fobias – uma área da personalidade passa a ser possuída por respostas de medo e ansiedade. Na angústia o medo é difuso e quando vem à tona é sinal de que já existia, há longo tempo. Se apresenta envolta em muita tensão, preocupação, excitação e desorganização do comportamento. Na reação fóbica, o medo se restringe a uma classe limitada de estímulos. Verifica-se a associação do medo a certos objetos, animais ou situações.

c) Obsessiva-Compulsiva: A Obsessão é um termo que se refere a idéias que se impõem repetidamente à consciência. São por isto dificilmente controláveis. A compulsão refere-se a impulsos que levam à ação. Está intimamente ligada a uma desordem psicológia chamada transtorno obsessivo-compulsivo.

2º Tipo: Psicoses

O psicótico pode encontrar-se ora em estado de depressão, ora em estado de extrema euforia e agitação. Em dado momento age de um modo e em outro se comporta de maneira totalmente diferente. Houve uma desestruturação da sua personalidade. O dado clínico para se aferir à psicose é a alteração dos juízos da realidade. O psicótico passa a perceber a realidade de maneira diferente. Por isso, faz afirmações e tem percepções não apoiadas nem justificadas pelos dados e situações reais. Nas psicoses, além da alteração do comportamento, são comuns alucinações (ouvir vozes, ter visões e delírios). Pode ser possuído por intensas fantasias de grandeza ou perseguição. Pode sentir-se vítima de uma conspiração assim como se julgar milionário, um ser divino, etc. As Psicoses se manifestam como:

a) Esquizofrenia - apatia emocional, carência de ambições, desorganização geral da personalidade, perda de interesse pela vida nas realizações pessoais e sociais. pensamento desorganizado, afeto superficial e inapropriado,riso insólito, bobice, infantilidade, hipocondria, delírios e alucinações transitórias.

b) Maníaca-depressiva – caracteriza-se por perturbações psíquicas duradouras e intensas, decorrentes de uma perda ou de situações externas traumáticas. O estado maníaco pode ser leve ou agudo. É assinalado por atividade e excitamento. Os maníacos são cheios de energia, inquietos, barulhentos, falam alto e têm idéias bizarras, uma após outra. O estado depressivo, ao contrário, caracteriza-se por inatividade e desalento. Seus sintomas são: pesar, tristeza, desânimo, falta de ação, crises de choro, perda de interesse pelo trabalho, por amigos e família, bem como por suas distrações habituais. Torna-se lento na fala, não dorme bem à noite, perde o apetite, pode ficar um tanto irritado e muito preocupado.

c) Paranóia – caracteriza-se sobretudo por ilusões fixas. É um sistema delirante. As ilusões de perseguição e de grandeza são mais duradouras do que na esquizofrenia paranoide. Os ressentimentos são profundos. É agressivo, egocêntrico e destruidor. Acredita que os fins justificam os meios e é incapaz de solicitar carinho. Não confia em ninguém

d) Psicose alcoólica – é habitualmente marcada por violenta intranqüilidade, acompanhada de alucinações de uma natureza aterradora.

e) Arteriosclerose Cerebral – evolui de um modo semelhante a demência senil. O endurecimento dos vasos cerebrais dá lugar a transtornos de irrigação sangüínea, as quais são causa de que partes isoladas do cérebro estejam mal abastecidas de sangue. Os sintomas são, formigamento nos braços e pernas, paralisias mais ou menos acentuadas, zumbidos no ouvido, transtorno de visão, perturbações da linguagem em forma de lentidão ou dificuldade da fala.

3º Tipo: Psicopatias

Os psicopatas não estruturam determinadas dimensões da personalidade, verificando-se uma espécie de falha na própria construção. Os principais sintomas das psicopatias são: Diminuição ou ausência da consciência moral. O certo e o errado; o permitido e o proibido não fazem sentido para eles. Desta maneira, simular, dissimular, enganar, roubar, assaltar, matar, não causam sentimentos de repulsa e remorso, em suas consciências. O único valor para eles é seus interesses egoístas: Inexistência de alucinações; ausência de manifestações neuróticas; falta de confiança; Busca de estimulações fortes; Incapacidade de adiar satisfações; Não toleram um esforço rotineiro e não sabem lutar por um objetivo distante; Não aprendem com os próprios erros, pelo fato de não reconhecerem estes erros; Em geral, têm bom nível de inteligência e baixa capacidade afetiva; Parecem incapazes de se envolver emocionalmente. Não entendem o que seja socialmente produtivo.

Avaliação e crítica da teoria

A toria freudiana é a mais influente das teorias do desenvolvimento da personalidade e dos transtornos mentais. Ela influenciou grande parte do pensamento psicoterapêutico durante todo o século XX. Seus principais pontos fortes são[3]:

1. A introdução de novos processos psíquicos, como o inconsciente, a sexualidade infantil, id, ego e superego, além de acentuar a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento do indivíduo e

2. a ênfase no desenvolvimento emocional da criança, ao contrário de outras teorias que enfatizam somente o desenvolvimento cognitivo. A teoria freudiana procura explicar porque os seres humanos não se comportam sempre de maneira lógica e como o conteúdo do pensamento abranje mais do que a pesquisa cognitiva costuma estudar.

As principais críticas à teoria freudiana referem-se a[3]:

1. problemas metodológicos com relação à coleta dos dados:

1. O uso dos métodos próprios da psicanálise exige que o pesquisador seja ele mesmo um psicanalista. A longa formação exigida para isso provoca, por um lado, problemas práticos (ex. custo) e também problemas com relação à imparcialidade da pesquisa, uma vez que após a longa formação psicanalítica um pesquisador dificilmente poderá ser imparcial;

2. as sessões psicoterapêuticas de Freud, com base nas quais suas teorias foram desenvolvidas, não foram gravadas, mas reconstruidas de memória, às vezes imediatamente depois das sessões, às vezes apenas horas mais tarde; dessa forma suas anotações podem ser vítimas das distorções típicas da memória (ex. se lembrar apenas de fatos que se enquadram na teoria);

3. um problema similar se refere a basear teorias sobre a infância em lembranças de adultos.

2. problemas metodológicos com relação à possibilidade de comprovação da teoria: os conceitos freudianos são de difícil definição e operacionalização. Isso quer dizer que um mesmo comportamento observável pode ser explicado por diferentes processos psíquicos e viceversa, o que dificulta a realização de um exame empírico de tais conceitos.

3. a ênfase excessiva da sexualidade infantil. Apesar de ter sido a primeira a chamar a atenção para essa face até então desconhecida do desenvolvimento humano, deixou de lado muitas outras faces, como a influência social. Assim, Malinowski encontrou entre os povos de Papua-Nova Guiné por ele pesquisados poucos indícios do complexo de Édipo, tal como descrito por Freud. Ligado a esse problema se encontra outro, ligado à estrutura tautológica com que a teoria freudiana muitas vezes se reveste: criticas à teoria são, por vezes, vistas como formas de repressão dos conteúdos inconscientes. Assim, ou a pessoa concorda com a teoria ou ela está reprimindo algum conteúdo inconsciente, o que comprova a teoria.

Importante é observar que, apesar dos problemas e das críticas, a teoria freudiana abriu caminho a muitas e frutíferas linhas de pesquisa posterior.

Neurose

O termo neurose (do grego neuron (nervo) e osis (condição doente ou anormal)) foi criado pelo médico escocês William Cullen em 1787 para indicar "desordens de sentidos e movimento" causadas por "efeitos gerais do sistema nervoso". Na psicologia moderna, é sinônimo de psiconeurose ou distúrbio neurótico e se refere a qualquer transtorno mental que, embora cause tensão, não interfere com o pensamento racional ou com a capacidade funcional da pessoa. Essa é uma diferença importante em relação à psicose, desordem mais severa.

Definição e utilização do termo

Neuroses são quadros patológicos psicogênicos (ou seja, de origem psíquica), muitas vezes ligados a situações externas na vida do indivíduo, os quais provocam transtornos na área mental, física e/ou da personalidade. De acordo com a visão psicanalítica, as neuroses são fruto de tentativas ineficazes de lidar com conflitos e traumas inconscientes. O que distingue a neurose da normalidade é assim (1) a intensidade do comportamento e (2) a incapacidade do doente de resolver os conflitos internos e externos de maneira satisfatória [1].

O conceito de neurose está assim intimamente ligado à teoria nosológica psicanalítica, ou seja, à maneira como a psicanálise explica a origem e o desenvolvimento dos transtornos mentais. Por isso psicólogos oriundos de outras escolas, sobretudo da terapia cognitivo-comportamental, foram levados a criticar o termo: como tais psicoterapeutas não trabalham com os conceitos psicanalíticos, um diagnóstico de neurose não tem para eles nenhum sentido prático. Essa crítica levou a uma modificação dos sistemas de classificação de doenças: os atuais sistemas de classificação dos transtornos mentais abandonaram uma abordagem nosológica e adotaram uma descritiva. Isso significa que os transtornos não são mais classificados pela suposta origem do transtorno (por esta ser controversa), mas por seus sintomas observáveis (por estes serem unânimes). Assim, na CID-9 havia uma categoria "Neuroses" de transtornos mentais própria, já com a publicação da CID-10 em 1994 o termo passou a ser usado apenas descritivamente (e não mais "neuroses", mas "transtorsnos neuróticos") e não para todas as categorias que ele tradicionalmente designava[1][2].

Segundo a CID-9, sob neurose entendem-se os seguintes grupos de transtornos mentais:

• Transtornos fóbicos-ansiosos e outros transtornos de ansiedade;

• Transtorno obsessivo-compulsivo

• Transtornos dissociativos (de conversão)

• Transtornos somatoformes

• Distimia e determinados tipos de depressão

• Neurastenia

S. O. Hoffmann e G. Hochapfel[1] fazem notar que a atual classificação dos transtornos mentais, por ser meramente descritiva, não faz jus à complexidade dos transtornos mentais, reduzindo-os a seus sintomas observáveis. M. Perrez e U. Baumann[2] observam, por outro lado, que, apesar de não corresponderem a essa complexidade, os atuais sistemas representam uma base comum ao diálogo entre as diferentes escolas de psicoterapia.
____________________________________________________



AS PSICOPATOLOGIAS MAIS COMUNS NA ATUALIDADE

Quando estudamos as psicopatologias mais comuns na atualidade, encontramos os seguintes transtornos mentais:

1. Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de substância psicoativas;
2. Transtornos esquizotípicos e delirantes;
3. Transtornos do humor (afetivos);
4. Transtornos neuróticos e os relacionados com stress e somatoformes;
5. Transtornos da personalidade e do comportamento do adulto.

1. Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substâncias psicoativas.
Este agrupamento compreende aqueles transtornos atribuídos ao uso de uma ou várias substâncias psicoativas, prescritas ou não por um médico. Aqui temos as principais:

1.1. Intoxicação aguda
Estado conseqüente ao uso de uma substância psicoativa e compreendendo perturbações da consciência, das faculdades cognitivas, da percepção, do afeto ou do comportamento, ou de outras funções e respostas psicofisiológicas.

1.2. Síndrome de dependência
Conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após repetido consumo de uma substância psicoativa, tipicamente associada ao forte desejo de tomar a droga, à dificuldade de controlar o consumo, à utilização.

1.3. Psicose induzida
Conjunto de fenômenos psicóticos que ocorrem durante ou imediatamente após o consumo de uma substância psicoativa, mas que não podem ser explicados inteiramente com base numa intoxicação aguda e que também não participam do quadro de uma síndrome de abstinência. O estado se caracteriza pela presença de alucinações, de distorções das percepções, de idéias delirantes, de perturbações psicomotoras e de afetos anormais, podendo ir de medo intenso ao êxtase.

2. Transtornos esquizotípicos e delirantes
Este agrupamento reúne a esquizofrenia, a categoria mais importante deste grupo de transtorno, o transtorno esquizofrênico, os transtornos delirantes persistentes e um grupo maior de transtornos psicóticos agudos e transitórios.

2.1. Transtornos esquizotípicos
2.1.1. Esquizofrenia
Os transtornos esquizofrênicos se caracterizam em geral por distorções fundamentais e características do pensamento e da percepção, e por afetos inapropriados ou embotados. Usualmente mantém-se clara a consciência e a capacidade intelectual, embora certos déficits cognitivos possam evoluir no curso do tempo.

Os fenômenos psicopatológicos mais importantes incluem o eco do pensamento, a imposição ou roubo do pensamento, a divulgação do pensamento, a percepção delirante, idéias delirantes de controle, de influência ou de passividade, vozes alucinatórias que comentam ou discutem com o paciente na terceira pessoa, transtornos do pensamento e sintomas negativos.

A evolução dos transtornos esquizofrênicos pode ser contínua, episódica com ocorrência de um déficit progressivo estável, ou comportar um ou vários episódios seguidos de uma remissão completa ou incompleta.

Os vários tipos de esquizofrenias: simples, paranóide, hebrefênica, catatônica.

2.1.2. Esquizofrenia simples
Transtorno caracterizado pela ocorrência insidiosa e progressiva de excentricidade de comportamento, incapacidade de responder as exigências da sociedade e declínio global do desempenho.

2.1.3. Esquizofrenia paranóide
O transtorno se caracteriza essencialmente pela presença de idéias delirantes relativamente estáveis, freqüentemente de perseguição, em geral acompanhadas de alucinações, particularmente auditivas e de perturbações das percepções.

2.1.4. Esquizofrenia hebefrênica
A esquizofrenia hebefrênica se caracteriza pela presença proeminente de uma perturbação dos afetos; as idéias delirantes e as alucinações são fugazes e fragmentárias, o comportamento é irresponsável e imprevisível. O afeto é superficial e inapropriado. O pensamento é desorganizado e o discurso incoerente.

Há uma tendência ao isolamento social. O transtorno é muito comum em adolescentes e adultos jovens.

2.1.5. Esquizofrenia catatônica
A esquizofrenia catatônica é dominada por distúrbios psicomotores proeminentes que podem alternar entre extremos tais como hipercinesia e estupor, ou entre a obediência automática e o negativismo. Atitudes e posturas que os pacientes foram compelidos a tomar podem ser mantidas por longos períodos.

2.2. Transtornos delirantes
Esta categoria reúne transtornos diversos caracterizados única ou essencialmente pela presença de idéias delirantes persistentes.

2.2.1. Transtornos psicóticos agudos e transitórios
Grupo heterogêneo de transtornos caracterizado pela ocorrência aguda de sintomas psicóticos, tais como idéias delirantes, alucinações, perturbações das percepções, e por uma desorganização maciça do comportamento normal.

3. Transtornos do humor (afetivos)
Transtornos nos quais a perturbação fundamental é uma alteração do humor ou do afeto no sentido de uma depressão (com ou sem ansiedade associada).

A alteração do humor em geral se acompanha de uma modificação do nível global de atividade.
Aqui temos:

Os episódios maníacos que são: hipomania, mania sem sintomas psicóticos e mania com sintomas psicóticos.

3.1. A hipomania
O transtorno se caracteriza pela presença de uma elevação ligeira mas persistente do humor, da energia e da atividade, associada em geral a um sentimento intenso de bem-estar e de eficácia física e psíquica.

Existe na hipomania um aumento da sociabilidade, do desejo de falar, da familiaridade e da energia sexual, e uma redução da necessidade de sono; estes sintomas não são, entretanto, tão graves a ponto de entravar o funcionamento profissional ou levar a uma rejeição social. A euforia e a sociabilidade são por vezes substituída por irritabilidade, atitude pretensiosa ou comportamento grosseiro.

3.2. Mania sem sintomas psicóticos
Presença de uma elevação do humor desproporcional à situação do sujeito, podendo variar de uma jovialidade descuidada a uma agitação praticamente incontrolável. O sujeito apresenta um aumento da auto-estima com idéias de grandeza e superestima de suas capacidades. A perda da inibição sociais pode levar a condutas imprudentes, irracionais, inapropriadas ou deslocadas.

3.3. Mania com sintomas psicóticos
Presença dos sintomas da Mania sem sintomas psicóticos juntamente com idéias delirantes(em geral de grandeza) ou de alucinações(em geral do tipo de voz que fala diretamente ao sujeito) ou de agitação, de atividade motora excessiva e de fuga de idéias de tal gravidade que o sujeito se torna incompreensível ou inacessível a toda comunicação social.

3.4. O transtorno afetivo bipolar em suas variedades
Transtorno caracterizado por dois ou mais episódios nos quais o humor e o nível de atividade do sujeito estão profundamente perturbados, sendo que esse dist´rubio consiste, em algumas ocasiões, na elevação do humor e no aumento da energia eda atividade (hipomania ou mania) e, em outras, no rebaixamento do humor e na redução da energia e da atividade (depressão).

3.5. Episódios depressivos
Nos episódios depressivos o sujeito apresenta rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da atividade. Existe alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração, associadas em geral a fadiga acentuada, mesmo após esforço mínimo.

Observa-se em geral problemas de sono e diminuição do apetite. Existe quase sempre uma diminuição da auto-estima e da autoconfiança e freqüentemente idéias de culpabilidade e/ou indignidade, mesmo de forma nas formas mais leves.

O humor depressivo varia pouco de dia para dia ou segundo as circunstâncias e pode acompanhar-se de sintomas ditos “somáticos” – por exemplo, perda de interesse ou prazer, despertar matinal precoce, várias horas antes da hora habitual de despertar, agravamento matinal da depressão, lentidão psicomotora acentuada, agitação, perda de apetite, perda de peso e perda do libido. O número e a gravidade dos sintomas determina se o episódio é leve moderado ou grave.

3.6. Transtornos depressivos recorrentes
Transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos correspondentes à descrição feita no item anterior.

3.7. Transtornos de humor (afetivos) persistentes
Transtornos do humor persistentes e habitualmente flutuantes, nos quais os episódios individuais não são suficientemente graves para justificar um diagnóstico de episódio maníaco ou de episódio depressivo leve.

Os sintomas normalmente persistem por anos e, por vezes, durante a maior parte da vida adulta do paciente, provocando sofrimentos e incapacidades consideráveis.

Aqui temos: a ciclotimia e a distimia.

A ciclotimia se caracteriza pela instabilidade persistente do humor que comporta numerosos períodos de depressão ou de elação, nenhum deles suficientemente grave ou prolongado para responder aos critérios de um transtorno bipolar ou depressão recorrente.

A distimia se caracteriza pelo rebaixamento crônico do humor, que persiste ao menos por vários anos, mas cuja gravidade não é suficiente ou na qual os episódios são muito curtos para responder aos critérios da depressão recorrente grave, moderada ou leve.

4. Transtornos neuróticos; Transtornos relacionados com o Stress e Transtornos Somatoformes
4.1. Transtornos fóbicos-ansiosos
Grupo de transtornos nos quais uma ansiedade é desencadeada exclusiva ou essencialmente por situações nitidamente determinadas que não apresentam atualmente nenhum perigo real.

Estas situações são, por esse motivo, evitadas ou suportadas com temor. As preocupações do sujeito podem estar centradas em sintomas individuais tais como palpitações ou uma impressão de desmaio, e freqüentemente se associam ao medo de morrer, perda do autocontrole ou de ficar louco.

Aqui temos: Agorafobia; Fobias Sociais, Fobias Específicas.

4.2. Agorafobia
Se caracteriza pelo medo de deixar seu domicílio, medo de lojas, de multidões e de locais públicos, ou medo de viajar sozinho em trem, ônibus ou avião. A presença do Transtorno de Pânico é freqüente no curso dos episódios atuais ou anteriores de agorafobia.

4.3. Fobias Sócias
As fobias sociais se caracterizam pelo medo de ficar exposto à observação atenta de outrem e que leva a evitar situações sociais. As fobias sociais graves se acompanham habitualmente de perda da auto-estima e de medo de ser criticado.

As fobias sociais podem ser manifestar por rubor, tremor das mãos, náuseas ou desejo urgente de urinar, sendo que o paciente por vezes estar convencido de que uma ou outra destas manifestações secundárias constitui seu problema primário. Os sintomas podem evoluir para um ataque de pânico.

4.4. Fobias específicas
Fobias limitadas a situações altamente específicas tais como a proximidade de determinados animais, locais elevados, trovões, escuridão, viagem de avião, espaços fechados, utilização de banheiros públicos, ingestão de determinados alimentos, cuidados odontológicos, visão de sangue ou ferimentos. Ainda que a situação desencadeante seja inofensiva, o contato com ela pode desencadear um estado de pânico como na agorafobia ou fobia social.

4.5. Transtorno de pânico
A característica essencial deste transtorno são os ataques recorrentes de ansiedade grave (ataques de pânico), que não ocorrem exclusivamente numa situação ou em circunstâncias determinadas, mas são de fato imprevisíveis.

Os sintomas essenciais do da síndrome do pânico são os seguintes: Ocorrência brutal de palpitações; Dores torácicas; Sensações de asfixia; Tonturas; Sensações de irrealidade; Medo de morrer, de perder o controle e de ficar louco.

4.6. Ansiedade generalizada
Os sintomas da ansiedade generalizada são os seguintes: Nervosismo persistente; Tremores; Tensão muscular; Transpiração; Sensação de vazio na cabeça; Palpitações; Tonturas; Desconforto epigástrico.

4.7. Transtorno obsessivo-compulsivo
Transtorno caracterizado essencialmente por idéias obsessivas ou por comportamento compulsivos recorrentes.

As idéias obsessivas são pensamentos, representações ou impulsos que se intrometem na consciência do sujeito de modo repetitivo e estereotipado. Em geral, elas perturbam muito o sujeito, o qual tenta freqüentemente resistir-lhes, mas sem sucesso. O sujeito reconhece, entretanto, que se trata de seus próprios pensamentos, mas estranhos à sua vontade e em geral desprazeirosos.

Os comportamentos e os rituais compulsivos são atividades estereotipadas repetitivas. O sujeito não tira nenhuma prazer direto da realização destes atos, os quais, por outro lado, não levam à realização de tarefas úteis por si mesmas.

O comportamento compulsivo tem por finalidade prevenir algum evento objetivamente improvável, freqüentemente implicando dano infligido ao sujeito causado por ele, que ele (a) teme que possa ocorrer. O sujeito reconhece habitualmente o absurdo e a inutilidade de seu comportamento e faz esforços repetidos para resistir-lhes. O transtorno se acompanha quase sempre de ansiedade. Esta ansiedade se agrava quando o sujeito tenta resistir a sua atividade compulsiva.

O transtorno obsessivo-compulsivo pode ser:
Com predominância de idéias ou de ruminações obsessivas e/ou com predominância de comportamentos compulsivos (rituais obsessivos).

4.8. Reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação
Os transtornos aqui relacionados podem ser considerados como resposta inadaptação a um “stress” grave ou persistente, na medida em que eles interferem com os mecanismos adaptativos eficazes e entravam assim o funcionamento social.

Temos aqui:
Reação aguda ao “stress”; Estado de “stress” pós-traumático e Estado de adaptação.

4.9. Reação aguda ao “stress”
Um transtorno transitório que ocorrem em indivíduo que não apresenta nenhum outro transtorno mental manifesto, em seguida a um “stress” físico e/ou psíquico excepcional, e que desaparece habitualmente em algumas horas ou em alguns dias.

Os sintomas são mistos e variáveis. As vezes os sintomas são idênticos aos da ansiedade e síndrome de pânico, a saber: taquicardia, transpiração, ondas de calor, etc).

4.10. Estado de “stress” pós-traumático
Este transtorno constitui uma resposta retardada ou protraída a uma situação ou evento estressante ( de curta ou longa duração), de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica, e que provocaria sintomas evidentes de perturbação na maioria dos indivíduos.

Os sintomas típicos incluem a revivescência repetida do evento traumático sob a forma de lembranças invasivas (flahsbacks), de sonhos ou de pesadelos; ocorrem num contexto durável de anestesia psíquica e de embotamento do ambiente, anedonia, e evitação de atividades ou de situações que possam despertar a lembrança do traumatismo.

4.11. Transtornos de adaptação
Estado de sofrimento e de perturbação emocional subjetivos, que entravam usualmente o funcionamento e o desempenho sociais. Ocorrendo nocurso de um período de adaptação a uma mudança existencial importante ou a um acontecimento estressante.

O fator de estresse pode afetar a integridade do ambiente social do sujeito (luto, experiências de separação) ou seu sistema global de suporte social e de valor social (imigração, estado de refugiado) ou ser ainda representado por uma etapa da vida ou por uma crise do desenvolvimento (escolarização, nascimento de um filho, fracasso em atingir um objetivo pessoal importante, aposentadoria).

As manifestações, variáveis, compreendem: humor depressivo, ansiedade, inquietude (ou uma combinação dos precedentes), sentimento de incapacidade de enfrentar, fazer projetos ou continuar na situação atual, assim como certa alteração do desempenho cotidiano.

4.12. Transtornos dissociativos (de conversão e/ou histeria)
Os transtornos se caracterizam por uma perda parcial ou completa das funções normais de integração das lembranças, da consciência, da identidade e das sensações imediatas, e de controle dos movimentos corporais.

Os sintomas traduzem freqüentemente a idéia que o sujeito se faz de uma doença física. O exame médico e os exames complementarem não permitem colocar em evidência um transtorno físico (em particular neurológico) conhecido.

Aqui temos: Amnésia dissociativa, fuga associativa, estupor dissociativo, estado de transe e de possessão, transtornos dissociativos do movimento, convulsões dissociativas, anestesia e perda sensorial dissociativas, etc.

4.13. Transtornos somatoformes
A caracterização essencial dez respeito à presença repetida de sintomas físicos associados à busca persistente de assistência médica, apesar de os médicos nada encontrarem de anormal e afirmarem que os sintomas não têm nenhuma base orgânica. Se quaisquer transtornos físicos estiverem presentes, eles não explicam nem a natureza e a extensão dos sintomas, nem o sofrimento e as preocupações do sujeito.

Aqui temos: Transtorno de somatização, hipocondríaco, neurovegetativo somatoforme, doloroso somatoforme persistente.

4.14. Outros transtornos neuróticos
4.14.1. Neurastenia
A neurastenia pode se caracterizar das seguintes formas:

Queixa relacionada com a existência de uma maior fatigabilidade após esforços mentais, freqüentemente associadas a uma certa diminuição do desempenho profissional e da capacidade de fazer face às tarefas cotidiana.

Queixa de sensação de fraqueza corporal ou física e um sentimento de dores musculares e incapacidade para relaxar.

4.14.2. Síndrome de despersonalização-desrealização
Trata-se de um transtorno raro no qual o paciente se queixa espontaneamente de uma alteração qualitativa de sua atividade mental, de seu corpo e de seu ambiente, estes últimos percebidos como irreais, ou longínquos.

Os pacientes se queixam de perda das emoções e de umasensação de estranheza ou desligamento com relação aos seus pensamentos, seu corpo ou o mundo real.

5. Transtornos da personalidade e do comportamento do adulto
Este agrupamento compreende diversos estados e tipos de comportamentos significativos que tendem a persistir e são expressão característica da maneira de viver do indivíduo e de seu modo de estabelecer relações consigo próprio e com os outros.

5.1. Personalidade paranóica
Características:
1. Sensibilidade excessiva face às contrariedades;
2. Recusa de perdoar os insultos;
3. Caractere desconfiado;
4. Tendência de distorcer os fatos interpretando as ações imparciais ou amigáveis dos outros como hostis ou de desprezo;
5. Suspeitas recidivantes, injustificadas, a respeito da fidelidade sexual do esposo ou do parceiro sexual;
6. Sentimento combativo e obstinado de seus próprios direitos;
7. Superavaliação de sua auto-importância, havendo freqüentemente auto-referência excessiva.

5.2. Personalidade esquizóide
Características:
1. Retraimento dos contatos sociais, afetivos ou outros;
2. Preferência pela fantasia, atividades solitárias e a reserva introspectiva;
3. Incapacidade de expressar seus sentimentos e experimentar prazer.

5.3. Personalidade dissocial (Anti-social)
Características:
1. Desprezo pelas obrigações sociais;
2. Falta de empatia para com os outros;
3. Desrespeito aos normas estabelecidas;
4. Baixa tolerância à frustrações e baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência;
5. Tendência de culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade.

5.4. Personalidade histriônica (Histérica e/ou Psicoinfantil)
Características:
1. Afetividade superficial e lábil;
2. Dramatização e teatralidade;
3. Expressão exagerada das emoções, sugestibilidade;
4. Egocentrismo;
5. Autocomplacência;
6. Falta de consideração para com os outros;
7. Desejo permanente de ser apreciado e de constituir-se no objeto de atenção;
8. Tendência de se sentir facilmente ferido.

5.5. Personalidade anancástica (Compulsiva, Obsessiva ou obsessiva-compulsiva)
Características:
1. Sentimento de dúvida;
2. Perfeccionismo, escrupulosidade e mania de verificação;
3. Preocupações com pormenores, obstinação, prudência e rigidez excessivas;
4. Pensamentos ou impulsos repetitivos e intrusivos não atingindo a gravidade de um transtorno obsessivo-compulsivo.

5.6. Personalidade ansiosa
Características:
1. Sentimento de tensão e de apreensão, insegurança e inferioridade;
2. Desejo permanente de ser amado e aceito;
3. Hipersensibilidade à críticas e à rejeição, reticência a se relacionar pessoalmente;
4. Tendência a evitar certas atividades que saem da rotina com um exagero dos perigos ou dos riscos potenciais em situações banais.

5.7. Personalidade dependente (Astênica, Inadequada Passiva)
Características:
1. Tendência sistemática de deixar a outrem a tomada de decisões, importantes ou menores;
2. Medo de ser abandonado e de ficar sozinho;
3. Percepção de si mesmo como fraco e incompetente;
4. Submissão passiva à vontade do outro;
5. Dificuldade de fazer face às exigências da vida cotidiana;
6. Falta de energia que se traduz por alteração das funções intelectuais ou perturbação das emoções;
7. Tendência freqüente a transferir a responsabilidade para outros.
8. Concorda com as pessoas até mesmo quando acredita que elas estão erradas, por causa do medo de ser rejeitado;
9. Dificuldade de iniciar projetos ou fazer coisas próprias;
10. Voluntário para fazer coisas que são desagradáveis ou humilhantes, a fim de que os outros lhe queiram bem;
11. Sente-se arruinado ou desamparado quando termina um relacionamento íntimo;
12. Facilmente ferido por crítica ou desaprovação.

5.8. Personalidade narcisista
Características:
1. Padrão global de grandiosidade;
2. Falta de empatia e hipersensibilidade à avaliação dos outros;
3. Reação crítica com sentimentos de raiva, vergonha, ou humilhação;
4. Gosta de explorar os outros e levar vantagens para atingir seus próprios objetivos;
5. Tem sensação de auto-importância, exagera na realizações e talentos, esperando ser notado como “especial” sem realização adequada;
6. Acredita que seus problemas são únicos e que seus problemas só podem ser compreendidos por outra pessoa especial;
7. É preocupado com fantasias de sucesso, poder brilhantismo, beleza ilimitada, ou amor ideal;
8. Tem uma sensação de intitulamento; expectativa irracional de tratamento especialmente favorável, por exemplo, presume que não tem que esperar na fila, quando os outros precisam faze-lo;
9. Requer constante atenção a admiração, por exemplo, busca se cumprimentado;
10. Falta de empatia: incapacidade de reconhecer e vivenciar como os outros sentem, por exemplo, aborrecimento e surpresa quando um amigo que está seriamente doente cancela um encontro;
11. Está preocupado com sentimentos de inveja.

5.9. Personalidade Borderline
O transtorno se caracteriza pela instabilidade de humor, relacionamentos interpessoais e auto-imagem, que normalmente começa na vida adulta.

Os sintomas são os seguintes:
1. Padrão de relações interpessoais instável e intenso, caracterizado pela alternância entre extremos de super-idealização e desvalorização;
2. Impulsividade em pelo menos duas áreas que são potencialmente auto-lesivas, por exemplo, desperdiçar, sexo, uso de substância, roubo em loja, dirigir imprudentemente, episódio de voracidade;
3. Instabilidade afetiva: mudanças acentuadas do humor básico para depressão, irritabilidade ou ansiedade, habitualmente durante algumas horas e só raramente mais de alguns dias;
4. Raiva inadequada e intensa ou falta de controle da raiva, por exemplo manifestação freqüente de temperamento, raiva constante, lutas corporais recorrentes;
5. Ameaças, gestos ou comportamento suicida recorrente ou comportamento automutilante;
6. Perturbação de identidade acentuada e persistente, manifestada pela incerteza acerca de pelo menos dois dos seguintes: auto-imagem, orientação sexual, metas a longo prazo ou escolha de carreira, tipo de amigos desejados, valores preferidos;
7. Sentimentos crônicos de vazio e enfado;
8. Esforços frenéticos para evitar abandono real ou imaginário.

6. Transtornos dos hábitos e dos impulsos
Esta categoria compreende certos transtornos do comportamento que não caracterizados por atos repetidos, sem motivação racional clara, incontroláveis, e que vão em geral contra os interesses do próprio sujeito e os de outras pessoas.

Aqui temos:
1. Consumo abusivo habitual de álcool;
2. Jogo patológico;
3. Piromania;
4. Cleptomania (roubo patológico);
5. Tricotilomania.

Nenhum comentário: