sexta-feira, 21 de março de 2025

AS FASES DA PSICOTERAPIA BASEADA NA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA (ACP)


INTRODUÇÃO

A Psicoterapia Centrada na Pessoa (PCP), desenvolvida por Carl Rogers, representa um modelo terapêutico humanista que enfatiza a capacidade inerente do indivíduo para o crescimento pessoal e a autorrealização. 

O processo psicoterápico ocorre ao longo de sete fases, que refletem a evolução do cliente desde uma postura defensiva e rígida até um estado de maior abertura, autenticidade e autocompreensão. Essas fases não são necessariamente lineares e variam de acordo com o ritmo e a singularidade de cada cliente. 

As fases refletem a evolução do cliente desde uma postura defensiva e rígida até um estado de maior abertura, autenticidade e autocompreensão. 

O presente texto busca descrever essas etapas, oferecendo uma visão detalhada de cada uma delas e evidenciando sua importância no contexto psicoterapêutico. 

1. RESISTÊNCIA À MUDANÇA (FASE ESTÁTICA)

ü  O cliente tem pouca ou nenhuma consciência de suas dificuldades emocionais.

ü  Sua comunicação é superficial e defensiva.

ü  A mudança é vista como uma ameaça, e há pouca motivação para o autoconhecimento.

Essa resistência pode se manifestar na relação terapêutica de diversas formas, como dificuldades em confiar no terapeuta, relutância em explorar sentimentos mais profundos ou um discurso racionalizado que evita contato genuíno com as emoções.

O terapeuta pode lidar com essa resistência adotando uma postura empática e acolhedora, criando um ambiente seguro no qual o cliente se sinta confortável para expressar suas dificuldades sem medo de julgamento. 

Estratégias como a escuta ativa, reformulação empática e a validação das preocupações do cliente são fundamentais para facilitar a abertura ao processo terapêutico. 

2. RECONHECIMENTO INDIRETO DAS DIFICULDADES

ü  O cliente começa a reconhecer problemas, mas tende a externalizá-los (culpar os outros ou as circunstâncias).

ü  Suas emoções são expressas de maneira distante, sem envolvimento profundo.

ü  Ainda há forte resistência a mudanças internas. 

Essa externalização pode se manifestar de várias formas, como a atribuição de culpa a terceiros, justificativas constantes para seus comportamentos ou a minimização da gravidade de suas dificuldades. 

Por exemplo, um cliente pode afirmar que seu sofrimento emocional se deve exclusivamente ao comportamento de familiares ou colegas de trabalho, evitando refletir sobre seu próprio papel na situação. 

O terapeuta pode ajudar o cliente a assumir maior responsabilidade por suas dificuldades através de estratégias como perguntas reflexivas, reformulação empática e validação de sentimentos. Incentivar a autoexploração por meio de questões abertas, como "Como você se sente em relação a essa situação?" ou "O que você poderia fazer de diferente?", pode estimular o cliente a desenvolver maior consciência sobre sua participação nos desafios que enfrenta.

Dessa forma, gradualmente, ele começa a internalizar sua experiência e a perceber que tem poder sobre suas próprias mudanças.

O cliente começa a reconhecer problemas, mas tende a externalizá-los (culpar os outros ou as circunstâncias). 

Suas emoções são expressas de maneira distante, sem envolvimento profundo.

Ainda há forte resistência a mudanças internas. 

3. COMEÇO DA EXPLORAÇÃO INTERIOR

ü  O cliente reconhece que suas dificuldades são internas e não apenas externas.

ü  Começa a se abrir um pouco mais, mas ainda com cautela.

ü  A comunicação de emoções se torna mais fluida, embora existam contradições e bloqueios. 

Nesse estágio, o cliente pode enfrentar desafios significativos, como resistência emocional e ambivalência. 

Muitas vezes, há um conflito interno entre o desejo de mudança e o medo do desconhecido, o que pode levar a momentos de regressão no processo terapêutico.

O cliente pode oscilar entre a aceitação e a negação de suas dificuldades, experimentando insegurança sobre sua capacidade de lidar com suas emoções.

Para lidar com essas dificuldades, o terapeuta pode reforçar a aceitação incondicional e a empatia, criando um espaço seguro para que o cliente se sinta confortável ao explorar suas emoções mais profundas.

O uso de intervenções que promovam a reflexão e o autoconhecimento, como a reformulação empática e a valorização das pequenas mudanças, pode ser essencial para ajudar o cliente a superar sua ambivalência e avançar para um nível mais profundo de autocompreensão. 

4. EXPRESSÃO DE SENTIMENTOS INTENSOS

ü  O cliente passa a se expressar com mais liberdade e profundidade.

ü  Há maior contato com suas emoções e reconhecimento de sua subjetividade.

ü  As experiências são exploradas sem tanta necessidade de defesa.

Nesse estágio, é essencial que o terapeuta valide e acolha as emoções do cliente, criando um ambiente seguro para sua expressão. Isso pode ser feito por meio da escuta ativa, reformulação empática e reconhecimento genuíno dos sentimentos apresentados. 

Ao demonstrar aceitação incondicional, o terapeuta fortalece a relação terapêutica e incentiva o cliente a aprofundar ainda mais sua exploração emocional. Esse suporte é fundamental para que o cliente sinta que suas emoções são compreendidas e legitimadas, facilitando um processo de crescimento pessoal e autoconhecimento.

5. ABERTURA À EXPERIÊNCIA

ü  O cliente demonstra maior flexibilidade e menos rigidez em sua visão de si mesmo.

ü  Aceita melhor seus sentimentos, tanto positivos quanto negativos.

ü  Passa a integrar suas experiências de maneira mais genuína e menos fragmentada. 

Essa fase impacta significativamente o dia a dia do cliente, pois ele passa a reagir de maneira mais adaptativa às situações que antes lhe causavam desconforto.

A aceitação emocional permite uma comunicação mais autêntica em seus relacionamentos, favorecendo vínculos mais saudáveis e a redução de conflitos internos. 

Mudanças comportamentais podem incluir maior espontaneidade, capacidade de expressar emoções sem medo do julgamento e uma postura mais aberta ao aprendizado e às novas experiências. 

O cliente pode também demonstrar maior resiliência diante de desafios, sentindo-se mais confiante em sua capacidade de lidar com dificuldades de maneira equilibrada. 

6. ACEITAÇÃO E CONGRUÊNCIA

ü  O cliente experimenta um senso de autenticidade e autoaceitação.

ü As contradições internas diminuem e há maior alinhamento entre emoções, pensamentos e comportamentos.

ü  A mudança passa a ser vista como algo natural e desejável.

Essa aceitação influencia diretamente a autoimagem do cliente, que passa a se perceber de forma mais positiva e integrada. 

Ele desenvolve uma visão mais realista de si mesmo, reconhecendo tanto suas qualidades quanto suas limitações sem recorrer a autocríticas excessivas. Esse processo fortalece sua autoestima e permite que ele construa uma identidade mais sólida e coerente.

Além disso, essa mudança reflete em suas relações interpessoais, pois o cliente se torna mais genuíno em suas interações. 

Ele passa a estabelecer vínculos mais saudáveis, baseados na autenticidade e no respeito mútuo, diminuindo a necessidade de aprovação externa. 

Como resultado, há um aumento da qualidade de suas conexões sociais, promovendo um maior bem-estar emocional e relacional.

7. VIVÊNCIA PLENA (FUNCIONAMENTO PLENO)

O cliente alcança um estado de autoconfiança e espontaneidade e encontra soluções para seus desafios internos de maneira mais independente, demonstrando capacidade de viver de forma mais autêntica e alinhada com seus valores. 

A longo prazo, essa fase se reflete em um estilo de vida mais equilibrado e harmonioso, no qual o cliente mantém uma atitude aberta à experiência e à aprendizagem contínua.

No entanto, desafios podem surgir, como o risco de recaídas diante de adversidades ou mudanças significativas na vida. 

Para sustentar esse funcionamento pleno, é essencial que o cliente continue exercitando a autoexploração, o autoconhecimento e a aceitação de suas emoções. 

Além disso, manter conexões significativas e buscar apoio quando necessário pode fortalecer essa vivência plena.

Estratégias como a prática da autorreflexão, a manutenção de hábitos saudáveis e a participação em grupos de apoio ou terapia de acompanhamento podem auxiliar na preservação desse estado, garantindo um crescimento contínuo e uma adaptação flexível aos desafios da vida.

CONCLUSÃO

A Psicoterapia Centrada na Pessoa propõe um percurso transformador no qual o cliente, a partir da relação empática e acolhedora oferecida pelo terapeuta, pode desenvolver maior autenticidade, autoconhecimento e aceitação de si mesmo.

O modelo das sete fases possibilita uma compreensão do progresso terapêutico, evidenciando como, gradualmente, o indivíduo passa de um estado de resistência à mudança para uma vivência plena de sua identidade e emoções. 

Compreender essas etapas é fundamental para profissionais da psicologia, pois auxilia na adaptação do atendimento de acordo com as necessidades individuais de cada paciente, respeitando seu tempo e seu processo singular de crescimento pessoal. 

No entanto, é bom lembrar que sssa progressão não é linear, e cada pessoa pode passar por essas fases de maneira única, avançando e retrocedendo em diferentes momentos do processo terapêutico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2021.

CARVALHO, Armando Ribeiro das Neves. Abordagem Centrada na Pessoa e Psicoterapia: perspectivas contemporâneas. São Paulo: Vetor, 2019.

CORDIOLI, Aristides Volpato. Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

FONSECA, Terezinha. A escuta terapêutica na abordagem centrada na pessoa. Rio de Janeiro: Vozes, 2020.

MOREIRA, Milton H. Carl Rogers e a Abordagem Centrada na Pessoa. São Paulo: Summus, 2017.

NOVAES, Ana Maria. Psicoterapia centrada na pessoa: teoria e prática. Campinas: Papirus, 2015.

ROGERS, Carl. Tornar-se pessoa. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2020.

ROGERS, Carl. O poder das palavras na psicoterapia. São Paulo: Summus, 2018.

VASCONCELLOS, Marisa Helena. O processo terapêutico na abordagem centrada na pessoa. Belo Horizonte: UFMG, 2016.

XIMENES, Solange. Autenticidade e empatia na relação terapêutica. Curitiba: Juruá, 2019.

sexta-feira, 14 de março de 2025

RECONSOLIDAÇÃO DA MEMÓRIA: BASES NEUROCIENTÍFICAS, IMPLICAÇÕES E APLICAÇÕES


INTRODUÇÃO

A memória humana tem sido um dos principais objetos de estudo da neurociência, da psicologia cognitiva e da psicanálise.

Durante muito tempo, acreditou-se que as memórias consolidadas eram permanentes e imutáveis. 

No entanto, estudos recentes demonstram que, quando uma memória é reativada, ela pode se tornar temporariamente instável e sujeita a modificações antes de ser reconsolidada. Esse fenômeno, conhecido como reconsolidação da memória, tem profundas implicações para a aprendizagem, o tratamento de transtornos psicológicos e a neuropsicanálise. 

Este artigo apresenta um panorama abrangente sobre a reconsolidação da memória, abordando sua definição, funcionamento, bases científicas e aplicações na educação, aprendizagem, psicanálise e psicoterapia.

1. CONCEITO E DEFINIÇÃO

A reconsolidação da memória refere-se ao processo pelo qual uma memória anteriormente armazenada é reativada, tornando-se temporariamente maleável antes de ser novamente estabilizada. 

O processo da reconsolidação da memória sugere que a memória não é um registro fixo, mas sim um processo dinâmico, sujeito a modificações conforme novas experiências e informações.

Simplificando, a reconsolidação da memória é um processo neurobiológico pelo qual uma memória previamente armazenada pode ser reativada, tornada temporariamente instável e depois estabilizada novamente com possíveis modificações. 

Em outras palavras, a reconsolidação da memória tem implicações fundamentais para a aprendizagem, o tratamento de traumas e a modificação de memórias disfuncionais. 

2. COMO OCORRE A RECONSOLIDAÇÃO DA MEMÓRIA?

O processo de reconsolidação segue três etapas principais:

Reativação:

A memória armazenada é evocada por meio de um estímulo ou recordação. 

Instabilidade:

Ao ser reativada, a memória entra em um estado transitório de fragilidade, tornando-se suscetível a alterações.

Reconsolidação:

A memória é estabilizada novamente, podendo incorporar novas informações ou ser modificada.

Estudos indicam que esse processo depende da síntese de proteínas específicas no hipocampo e na amígdala, estruturas cerebrais fundamentais para a memória. 

3. DIFERENÇA ENTRE CONSOLIDAÇÃO E RECONSOLIDAÇÃO

Consolidação:

Processo pelo qual uma memória recém-adquirida é estabilizada no córtex cerebral. 

Reconsolidação:

Processo pelo qual uma memória previamente consolidada é reativada e pode ser alterada antes de ser armazenada novamente. 

4. BASES CIENTÍFICAS DA RECONSOLIDAÇÃO

Estudos com modelos animais e humanos demonstram que a reconsolidação depende de mecanismos moleculares, como a síntese proteica e a atividade de neurotransmissores, como o glutamato e a dopamina. 

Experimentos com bloqueadores da reconsolidação sugerem que memórias traumáticas podem ser enfraquecidas ou reestruturadas. 

5. APLICABILIDADE DA RECONSOLIDAÇÃO

5.1. Na Educação e Aprendizagem

O uso de revisão ativa e testes espaçados potencializa a reconsolidação do conhecimento. 

Ensinar a partir de exemplos que desafiem conceitos pré-estabelecidos pode modificar crenças errôneas.

5.2. Na Neuropsicanálise e Psicanálise

A reativação de memórias emocionais durante a sessão analítica pode favorecer a ressignificação de experiências traumáticas. 

A interpretação de memórias reprimidas pode desencadear um novo processo de armazenamento. 

5.3. Na Psicoterapia

Terapias como EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares) utilizam a reconsolidação para modificar memórias traumáticas.

O uso de fármacos, como propranolol, pode reduzir a carga emocional de recordações traumáticas.

CONCLUSÃO

A reconsolidação da memória é um campo promissor da neurociência, com implicações profundas para a educação, a psicanálise e a psicoterapia. 

A capacidade de modificar memórias pode ser utilizada de forma terapêutica para aliviar traumas, otimizar a aprendizagem e promover mudanças comportamentais. 

Novas pesquisas continuam a explorar os mecanismos subjacentes a esse processo, ampliando suas aplicações clínicas e educacionais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DAMÁSIO, Antonio. O Erro de Descartes. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

KANDEL, Eric. Em Busca da Memória. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. 

LEDOUX, Joseph. O Cérebro Emocional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

MURRAY, Elisabeth A. ; BUSSEY, Timothy J. ; SAXTON, Matthew. Neuropsicologia e Neurociência Cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 2018. 

RIBEIRO, Sidarta. O Oráculo da Noite: A história e a ciência do sonho. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. 

SCHACTER, Daniel L. A Mente Imperfeita. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.


terça-feira, 11 de março de 2025

TEORIA DA INTERFERÊNCIA: UMA ANÁLISE NEUROCIENTÍFICA E PSICANALÍTICA


INTRODUÇÃO

A memória é um dos pilares fundamentais para o funcionamento cognitivo, influenciando diretamente o aprendizado, a identidade pessoal e o comportamento humano.

A capacidade de armazenar, reter e recuperar informações é essencial para a sobrevivência e para o desenvolvimento das atividades diárias.

Contudo, esse processo não é infalível, estando sujeito a diversas influências que podem comprometer sua eficiência.

Entre essas influências, destaca-se a Teoria da Interferência, que explica como a sobreposição de informações pode prejudicar a memória, afetando não apenas a aprendizagem acadêmica, mas também aspectos clínicos e terapêuticos.

Compreender a interferência é essencial para otimizar os processos de ensino-aprendizagem, aprimorar abordagens terapêuticas e desenvolver estratégias eficazes para reduzir seus efeitos negativos.

CONCEITO E DEFINIÇÃO

A Teoria da Interferência postula que o esquecimento não ocorre apenas pelo simples decaimento do traço de memória ao longo do tempo, mas também devido à competição entre informações armazenadas. 

Quando novas informações entram em conflito com as antigas, a recuperação pode ser prejudicada, dificultando o acesso a memórias específicas. Essa teoria desafia a ideia tradicional de que a memória falha apenas por degradação do traço mnésico, introduzindo a noção de que diferentes memórias podem competir entre si dentro do sistema cognitivo.

TIPOS DE INTERFERÊNCIA

INTERFERÊNCIA PROATIVA:

Ocorre quando informações antigas prejudicam a retenção de novas informações. Isso ocorre frequentemente quando há similaridade entre os conteúdos, causando confusão na recuperação das memórias.

Exemplo:

Um estudante que aprendeu espanhol pode ter dificuldade em aprender italiano, confundindo palavras entre os idiomas devido à similaridade fonética e gramatical.

INTERFERÊNCIA RETROATIVA:

Ocorre quando novas informações dificultam a recuperação de informações antigas, reduzindo sua acessibilidade. Esse efeito pode ser agravado por eventos emocionais ou estresse cognitivo. 

Exemplo:

Um profissional que troca de senha bancária frequentemente pode ter dificuldade em lembrar senhas antigas devido ao impacto das novas informações sobre as anteriores. 

CARACTERÍSTICAS E BASES CIENTÍFICAS

A interferência está fortemente relacionada à neurociência cognitiva, especialmente nas interações entre o hipocampo e o córtex cerebral. 

Estudos de neuroimagem demonstram que a memória é um sistema dinâmico, influenciado por fatores emocionais, contextuais e biológicos. 

A plasticidade sináptica desempenha um papel essencial na capacidade do cérebro de formar e consolidar memórias duradouras. 

Em particular, o lobo pré-frontal é responsável pela inibição de informações irrelevantes, reduzindo a interferência e promovendo uma recuperação mais eficiente.

APLICABILIDADE DA TEORIA

1. No Geral

A Teoria da Interferência explica fenômenos cotidianos, como esquecimentos frequentes e dificuldades de recuperação de informações sob estresse.

Situações de sobrecarga cognitiva, comuns em ambientes de alta demanda mental, tendem a acentuar os efeitos da interferência. 

2. Na Aprendizagem

No contexto educacional, a interferência pode dificultar a retenção de informações, especialmente quando o conteúdo é similar.

Professores e alunos podem adotar estratégias para minimizar esse impacto, como espaçamento de estudo, revisões periódicas e intercalação de matérias.

3. Na Neuropsicanálise

Na neuropsicanálise, a interferência pode estar associada a mecanismos de recalque e resistência.

A dificuldade de acessar memórias reprimidas pode ser explicada pela interferência de novos eventos, que dificultam a emergência do conteúdo inconsciente. 

4. Na Psicanálise e Psicoterapia

Durante a análise, pacientes frequentemente relatam dificuldades em recordar eventos passados devido à interferência retroativa.

A compreensão dessa dinâmica ajuda terapeutas a abordar resistências e facilitar o acesso a memórias reprimidas, promovendo uma maior elaboração psíquica.

ESTRATÉGIAS PARA REDUZIR A INTERFERÊNCIA

Estudo distribuído:

Sessões de estudo espaçadas minimizam a sobrecarga cognitiva. 

Prática de recuperação:

Testes periódicos fortalecem a consolidação da memória.

Alternância de conteúdos:

O aprendizado intercalado melhora a retenção a longo prazo. 

Técnicas de visualização:

Imagens mentais favorecem a associação de informações e reduzem a interferência.

CONCLUSÃO

A Teoria da Interferência representa um dos mais importantes modelos explicativos sobre o esquecimento humano, com implicações que vão desde a educação até o campo clínico. 

Ao entendermos como a interferência ocorre e quais são suas consequências, podemos criar estratégias para mitigar seus efeitos e potencializar o aprendizado, a memória e a eficiência terapêutica. 

O avanço das pesquisas em neurociência continua a esclarecer os mecanismos envolvidos na memória, possibilitando novas abordagens para otimizar o funcionamento cognitivo e emocional dos indivíduos. 

BIBLIOGRAFIA

BADDELEY, Alan. Memória e Cognição. Porto Alegre: Artmed, 2011.

SCHACTER, Daniel L. Os sete pecados da memória. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

KANDEL, Eric R. A Busca da Memória. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

ROEDIGER, Henry L.; McDERMOTT, Kathleen B. Memória Humana. Porto Alegre: Artmed, 2013.

EICH, Eric. Memory and Emotion. Oxford: Oxford University Press, 2009.

FREUD, Sigmund. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

DAMÁSIO, Antonio R. O Erro de Descartes. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

LEVY, Neil. Neuroethics and Memory. New York: Oxford University Press, 2012.

TULVING, Endel. Episodic Memory and Beyond. Annual Review of Psychology, v. 53, p. 1-25, 2002.

LOFTUS, Elizabeth F. Eyewitness Testimony. Cambridge: Harvard University Press, 1996.


ENGRAMA NEURAL: CONCEITO, CARACTERÍSTICAS, BASES CIENTÍFICAS E APLICAÇÕES NA PSICOTERAPIA


INTRODUÇÃO

O estudo da memória e dos processos de aprendizagem tem sido central na neurociência e na psicologia.

Um conceito fundamental nesse campo é o engrama neural, que se refere às alterações físicas no cérebro associadas ao armazenamento de memórias.

 

O engrama neural é um conceito que se refere às representações físicas e químicas de uma memória no cérebro.

 

Em outras palavras, é a marca deixada no sistema nervoso quando uma informação é aprendida e armazenada. Essas marcas podem envolver mudanças em sinapses, padrões de atividade neural e modificações na estrutura dos neurônios.

 

Compreender os engramas neurais é essencial para desvendar os mecanismos da memória e aprimorar abordagens terapêuticas na psicoterapia.

 

CONCEITO DE ENGRAMA NEURAL


O termo "engrama" foi introduzido pelo biólogo alemão Richard Semon no início do século XX, descrevendo-o como uma marca física deixada no sistema nervoso por uma experiência.

 

Na neurociência moderna, um engrama é entendido como a representação física de uma memória no cérebro, envolvendo alterações nas conexões sinápticas e na atividade neural. Essas alterações permitem que experiências passadas sejam armazenadas e posteriormente recuperadas.

AS CÉLULAS ENGRAMA – PROCESSO DE AÇÃO

Os engramas são como redes multiescala de neurônios, onde uma experiência é armazenada como uma memória potencialmente recuperável. Isso ocorre quando as células neuronais excitadas no hipocampo ou amígdala, são recrutadas para um conjunto-local.

Os conjuntos combinam-se com outros em regiões como o córtex, uma estrutura conhecida como ‘complexo de engrama’. Este processo denomina-se “plasticidade sináptica” e “formação de coluna dendrítica”.

As memórias são inicialmente armazenadas em um complexo de engrama podendo ser recuperadas por sua reativação que por sua vez também pode persistir silenciosamente mesmo quando não recuperadas naturalmente.

Quando temos uma nova experiência, as células nervosas engramas codificam os detalhes da memória que podem ser reativados quando lembramos.

Mudanças da cromatina, estrutura comprimida que consiste em DNA e histonas, proteínas também na estrutura do DNA, controlam o quão ativos genes específicos estão em determinada célula.

No momento da memória, a cromatina torna-se mais frouxa, permitindo a acessibilidade do DNA. A cromatina é um conjunto de fios (cromossomos) em que cada um é formado por uma longa molécula de DNA associada às moléculas da proteína histona.

AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS ENGRAMAS NEURAIS INCLUEM


Distribuição em Redes Neurais:

Engramas não estão confinados a um único neurônio, mas são distribuídos por redes de neurônios interconectados.

 

Plasticidade Sináptica:

A formação de engramas envolve mudanças na força das sinapses, conhecidas como plasticidade sináptica, que são fundamentais para a consolidação da memória.

 

Ocorrem mudanças na força das conexões entre neurônios, um processo conhecido como potenciação de longo prazo (LTP).

 

Especificidade e Estabilidade:

Embora específicos a determinadas experiências, os engramas podem ser estáveis ao longo do tempo, permitindo a retenção de memórias por períodos prolongados.

 

Atividade Neural Específica:

Conjuntos específicos de neurônios são ativados quando uma memória é evocada.

 

Alterações Estruturais:

A criação de novas conexões sinápticas e até mesmo o crescimento de dendritos e axônios podem estar envolvidos na formação do engrama.

 

Localização:

Diferentes tipos de memória têm engramas distribuídos por diferentes áreas do cérebro, como o hipocampo (memória episódica), o córtex pré-frontal (memória de trabalho) e os gânglios da base (memória procedimental).

 

BASES CIENTÍFICAS E DESCOBERTAS


Pesquisas recentes têm aprofundado a compreensão dos engramas neurais. Estudos utilizando técnicas avançadas, como a optogenética, permitiram a identificação e manipulação de células específicas associadas a memórias particulares.

 

Por exemplo, ao ativar neurônios específicos ligados a uma memória de medo em camundongos, os cientistas conseguiram induzir comportamentos associados a essa memória, mesmo na ausência do estímulo original. Esses achados reforçam a ideia de que memórias são armazenadas em padrões específicos de atividade neural.

 

APLICAÇÃO NA PSICOTERAPIA


A compreensão dos engramas neurais tem implicações significativas para a psicoterapia, especialmente em abordagens voltadas para o tratamento de traumas e transtornos de ansiedade.

 

Terapias como a Terapia de Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares (EMDR) e a Terapia de Exposição buscam modificar engramas associados a memórias traumáticas, promovendo a reconsolidação de memórias de forma menos perturbadora.

 

Além disso, intervenções baseadas em neurofeedback e estimulação cerebral não invasiva têm sido exploradas para influenciar a plasticidade sináptica e, consequentemente, os engramas neurais, visando a melhoria de sintomas em diversos transtornos mentais.

 

A UTILIDADE DO CONHECIMENTO SOBRE ENGRAMA NEURAL NO MANEJO PSICOTERÁPICO E NO DIA A DIA


O conhecimento sobre engramas neurais pode beneficiar tanto profissionais da saúde mental quanto indivíduos em seu cotidiano.

 

Na psicoterapia, compreender como as memórias são armazenadas e podem ser reconsolidadas auxilia na formulação de estratégias terapêuticas mais eficazes, permitindo a ressignificação de experiências traumáticas e a criação de novos padrões cognitivos mais saudáveis.

 

No dia a dia, esse conhecimento pode ser aplicado na melhoria do aprendizado, na formação de hábitos positivos e na gestão emocional.

 

Compreender que memórias podem ser modificadas e reprocessadas ajuda as pessoas a reformular experiências negativas, facilitando o autoconhecimento e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento mais saudáveis para desafios cotidianos.

 

O FUTURO DA MANIPULAÇÃO DOS ENGRAMAS NEURAIS


À medida que a pesquisa avança, espera-se que a manipulação dos engramas neurais se torne uma ferramenta ainda mais precisa para o tratamento de transtornos psicológicos e neurológicos.

 

Estudos recentes sugerem que será possível apagar ou modificar memórias específicas, oferecendo novas abordagens para o tratamento de traumas, fobias e transtornos de estresse pós-traumático.

 

Além disso, o uso de inteligência artificial e técnicas de estimulação cerebral poderá permitir a reativação seletiva de engramas positivos, ajudando no tratamento de depressão e outros transtornos afetivos.

 

Outra perspectiva promissora envolve a reabilitação cognitiva de pacientes com doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, através do potencial reativação de engramas adormecidos.

 

A combinação de neurotecnologia e terapia genética pode oferecer intervenções personalizadas para restaurar memórias perdidas ou reforçar habilidades cognitivas comprometidas.

 

CONCLUSÃO


Os engramas neurais desempenham um papel central no funcionamento do cérebro, pois representam a base física das memórias, formando as fundações dos processos de aprendizagem, recordação e adaptação comportamental.

A cada nova experiência vivida, o cérebro reconfigura suas conexões neuronais, criando uma rede de memórias interligadas que podem ser acessadas e modificadas ao longo do tempo.

Compreender o mecanismo dos engramas neurais não só ajuda a esclarecer como as memórias são armazenadas e recuperadas, mas também abre portas para tratamentos mais eficazes e personalizados no campo da saúde mental.

O avanço das pesquisas científicas, especialmente com o uso de tecnologias como a optogenética, possibilita agora a identificação precisa de células e circuitos cerebrais responsáveis pela formação e recuperação de memórias específicas.

A nova era de descobertas não apenas amplia o entendimento sobre como o cérebro funciona, mas também fortalece a aplicabilidade dos engramas neurais em diversas terapias psicológicas, como as que tratam de traumas e transtornos de ansiedade.

 A Terapia de Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares (EMDR) e outras abordagens de reconsolidação de memória baseadas na modificação dos engramas oferecem uma forma promissora de tratar memórias perturbadoras, facilitando a reconfiguração de experiências traumáticas e promovendo uma recuperação mais saudável.

Além disso, as possibilidades futuras de manipulação dos engramas, como a modificação de memórias específicas ou a potencial reativação de memórias adormecidas, oferecem novas perspectivas no tratamento de distúrbios neurodegenerativos e psiquiátricos.

Tecnologias emergentes, como a inteligência artificial e estimulação cerebral, têm o potencial de reverter danos causados por condições como o Alzheimer e depressão, trazendo grandes avanços para a reabilitação cognitiva e emocional.

No campo da psicoterapia, o conhecimento aprofundado sobre os engramas pode não só aprimorar intervenções terapêuticas, mas também transformar a forma como lidamos com as memórias no cotidiano.

 

A prática de ressignificar memórias negativas ou de criar novos hábitos com base na reconfiguração neural abre novos caminhos para o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal.

 

Portanto, a pesquisa e manipulação dos engramas neurais não são apenas um avanço acadêmico, mas também uma ferramenta vital para transformar vidas, oferecendo novas possibilidades para a saúde mental e o bem-estar geral.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BASTARDAS, Marta Thomen. Tipos de memória humana. Psicologia online (2020). Disponível em <https://br.psicologia-online.com/tipos-de-memoria-humana-383.html >

BECK, Aaron T.; ALFORD, Brad A. O poder integrador da terapia cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 2000.

DAMÁSIO, António R. O erro de Descartes: Emoção, razão e o cérebro humano. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

IZQUIERDO, Iván; MEDINA, Jorge H. Memória: Da biologia molecular à neurobiologia integrativa. Porto Alegre: Artmed, 2007.

KANDEL, Eric R.; SCHWARTZ, James H.; JESSELL, Thomas M. Princípios de neurociência. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.

LEDOUX, Joseph E. O cérebro emocional: Os misteriosos alicerces da vida emocional. São Paulo: Objetiva, 1998.

LENT, Roberto. Cem bilhões de neurônios: Conceitos fundamentais de neurociência. São Paulo: Atheneu, 2001.

PANKSEPP, Jaak. Affective Neuroscience: The Foundations of Human and Animal Emotions. Nova York: Oxford University Press, 1998.

RANGÉ, Bernard. Psicoterapias comportamentais e cognitivas. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2001.

SHAPIRO, Francine. EMDR: Eye Movement Desensitization and Reprocessing – princípios, protocolos e procedimentos. Porto Alegre: Artmed, 2012.

SQUIRE, Larry R.; KANDEL, Eric R. Memory: From Mind to Molecules. 2. ed. Greenwood Village: Roberts and Company Publishers, 2008.

quinta-feira, 6 de março de 2025

AS DEFESAS PSICOLÓGICAS SEGUNDO CARL ROGERS



INTRODUÇÃO

Na Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), Carl Rogers enfatiza que os seres humanos têm uma tendência atualizante – uma força inata que os impulsiona ao crescimento, à realização pessoal e ao equilíbrio psicológico. 

No entanto, quando as experiências de uma pessoa entram em conflito com sua autoimagem ou com o self ideal, podem surgir mecanismos de defesa psicológica para proteger o indivíduo da incongruência e do desconforto emocional.

Os principais mecanismos de defesa descritos por Rogers são a distorção e a negação, ambos relacionados ao modo como o indivíduo lida com experiências que ameaçam sua identidade ou autoestima. 

1. DISTORÇÃO DA EXPERIÊNCIA

A distorção ocorre quando a pessoa altera a percepção de uma experiência para que ela se encaixe dentro de sua autoimagem existente, minimizando a ameaça à sua identidade. Esse mecanismo é usado para preservar a coerência interna e evitar conflitos emocionais.

Exemplo:

Uma pessoa que se considera muito generosa pode receber um feedback dizendo que, em determinada situação, foi egoísta. 

Para evitar a incongruência entre essa crítica e sua autoimagem, ela pode interpretar o feedback de forma distorcida, pensando:

"Essa pessoa não entende minhas intenções." Eu estava apenas sendo cuidadoso com meus próprios limites, e não egoísta."

Dessa forma, o indivíduo modifica a interpretação da experiência para que ela continue sendo compatível com sua autoimagem.

2. NEGAÇÃO DA EXPERIÊNCIA

A negação ocorre quando a pessoa simplesmente recusa reconhecer uma experiência ou sentimento que entra em conflito com sua autoimagem.

Em vez de modificar a percepção da experiência, como na distorção, a pessoa simplesmente a ignora ou a rejeita, impedindo que ela entre na consciência.

Exemplo:

Uma pessoa que se considera altamente competente pode receber uma crítica sobre sua performance no trabalho.

Se essa informação for percebida como uma ameaça ao seu self, ela pode negar completamente a validade da crítica, dizendo:

"Isso é um absurdo, eu sei que sou excelente no que faço." Esse comentário não tem fundamento."

Esse mecanismo protege a autoestima ao evitar que a informação indesejada seja integrada à percepção do self. 

DEFESAS E A INCONGRUÊNCIA

Os mecanismos de distorção e negação são acionados quando a pessoa enfrenta uma situação que ameaça sua visão de si mesma. 

Rogers chamou essa discrepância entre a experiência real e a autoimagem de incongruência.

Quando há muita incongruência, a pessoa pode desenvolver altos níveis de ansiedade, defensividade e dificuldades emocionais. 

Se esses mecanismos de defesa forem utilizados com frequência, a pessoa pode se tornar cada vez mais rígida e resistente a mudanças, o que pode prejudicar seu crescimento pessoal e sua relação com os outros. 

A SUPERAÇÃO DAS DEFESAS NA TERAPIA CENTRADA NA PESSOA

Na terapia centrada na pessoa, o objetivo é reduzir a necessidade desses mecanismos de defesa, ajudando o cliente a alcançar uma maior congruência entre sua experiência real e sua autoimagem. 

Isso é feito por meio das três condições terapêuticas essenciais, propostas por Rogers: 

Empatia:

O terapeuta compreende e reflete os sentimentos do cliente sem julgamentos.

Congruência:

O terapeuta é autêntico e transparente na relação com o cliente.

Consideração Positiva Incondicional:

O terapeuta aceita o cliente sem impor condições para essa aceitação. 

Com esse ambiente terapêutico acolhedor, o cliente se sente seguro para reconhecer e integrar aspectos de si mesmo que antes eram negados ou distorcidos, promovendo crescimento pessoal e equilíbrio emocional.

CONCLUSÃO

Os mecanismos de defesa na abordagem de Rogers são estratégias inconscientes usadas para evitar a incongruência e proteger a autoimagem.

A distorção e a negação ajudam temporariamente a manter o equilíbrio psicológico, mas podem impedir o crescimento pessoal e a aceitação de novas experiências.

A terapia centrada na pessoa cria um espaço seguro para que o cliente reduza suas defesas, integre experiências ameaçadoras e se torne mais congruente consigo mesmo, promovendo uma vida mais autêntica e satisfatória.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

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