quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

SÍNDROME DO “PAVIO CURTO” – TRANSTORNO EXPLOSIVO INTERMITENTE.


O transtorno explosivo intermitente, também conhecido por síndrome do pavio curto, é um problema que começa a surgir no final da adolescência e início da vida adulta. 

Ataques frequentes e repentinos de fúria pode ser sintoma de um distúrbio psiquiátrico, o Transtorno Explosivo Intermitente (TEI). 

Conhecido também como síndrome do pavio curto atinge homens e mulheres.

Sabe aquela pessoa que, do nada, tem um acesso de fúria, grita ou agride alguém, e o estopim foi apenas um pisão no pé sem intenção? Ela tem grandes chances de sofrer da SÍNDROME DO PAVIO CURTO. 

A maior característica do problema é ficar extremamente irritado por motivos bobos.

Quem sofre com esse problema reage sem pensar nas consequências. 

É aquele sujeito que leva uma fechada no trânsito, vai atrás do outro motorista, xinga e nem pensa que esse tipo de briga pode acabar em tiro. 

MOTIVO DA REAÇÃO
"O que ocorre é uma falta do controle do impulso, não dá tempo de pensar", diz Liliana Serger, coordenadora do ambulatório de TEI do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPqHC), de São Paulo. 

Alguns portadores desse distúrbio explodem com parentes, em casa, mas se controlam bem no trabalho. Outros, nem isso conseguem.

QUEM ESTAR MAIS PROPENSO A SÍNDROME?
Esse mal atinge quem é rígido.

Segundo Liliana, o portador de TEI não é mau-caráter. 

Acontece que ele é muito rígido com tudo e com todos e fica furioso, por exemplo, quando alguém pisa na bola na sua frente. 

"Se uma pessoa com TEI estiver esperando para atravessar a rua e, de repente, um carro avançar o sinal vermelho, ela pode xingar o motorista e partir para a briga ali mesmo. 

“É capaz até de pegar um objeto para destruir o veículo, simplesmente porque o outro desobedeceu a lei”, exemplifica a médica.

EXCESSO DE ADRENALINA
As pessoas que sofrem da Síndrome tem excesso de adrenalina, causando prejuízo para o organismo.

PREJUÍZOS CAUSADOS PELA SÍNDROME
Esse tipo de comportamento acaba provocando uma série de problemas. 

Quem tem pavio curto sofre bastante com as consequências de seus atos. 

Muitas vezes as explosões trazem até prejuízos financeiros. "A pessoa pode quebrar uma TV, uma geladeira ou até um computador sem pensar", diz Liliana. 

Estudos mostram que pessoas com TEI são, inclusive, mais propensas a doenças cardíacas, já que estão sempre com a adrenalina em alta. 

Sem contar que a família fica esgotada com os atritos e os relacionamentos podem azedar.

Esse transtorno, no entanto, acaba comprometendo a vida social, financeira, profissional e jurídica da pessoa. 

No trabalho, nenhum chefe tolera esse tipo de descontrole. 

Quem tem uma explosão no trabalho pode ser demitido, ter problemas com a lei – e até mesmo ser preso, no caso de ter agredido alguém na rua, por exemplo. 

Separações e perda de amigos também são comuns já que ninguém sabe quando e qual será a razão fútil para o próximo ataque de fúria.

Por todas essas razões, vale a pena buscar ajuda de um especialista o mais rápido possível.

DIFERENÇA DO TRANSTORNO DO “PAVIO CURTO” PARA OUTROS TRANSTORNOS
Há diferença de comportamento entre as pessoas irritadas, nervosas e portadores de TEI. 

É natural ficarmos irritados, ansiosos frente a uma situação cotidiana, por exemplo quando são fechados no trânsito, mas ficar irritado, perseguir o outro motorista, gritar, xingar é um comportamento característico de TEI.

SINTOMAS QUE DEVEM CHAMAR A ATENÇÃO
A raiva é um sintoma comum a vários transtornos.

Portanto, só um profissional como médico, psiquiatra, psicólogo e ou psicanalista podem fazer o diagnóstico do Transtorno Explosivo Intermitente. 

Mas você deve ficar atenta se esses sinais, típicos do distúrbio, fizerem parte de sua rotina:
As explosões fortes de raiva acontecem, no mínimo, duas ou três vezes por semana;
As reações são sempre desproporcionais, ou seja, um motivo pequeno provoca um piti exagerado;
A cena ocorre sem premeditação, isto é, a pessoa não planeja fazer aquilo. Simplesmente explode;
Durante os ataques, há destruição de objetos e propriedades, sem preocupação com o valor;
Passado o acontecimento, a pessoa sente culpa, vergonha ou até mesmo arrependimento.

SINTOMAS EM GERAL
Para os ataques nervosos serem considerados síndrome do pavio curto eles precisam acontecer no mínimo duas vezes na semana e as razões devem ser fúteis. É normal uma pessoa ficar nervosa por algo sério, mas, se por motivos bobos há um descontrole, é necessário visitar um psiquiatra.

Ter ataques de fúria mais de duas ou três vezes por semana;
Reação desproporcional ao evento estressor. A razão sempre é fútil;
Ter surgido no final da adolescência e começo da vida adulta;
Ataques de raiva não se justificam por uso de álcool e substâncias ou outros transtornos mentais;
Ataques podem vir acompanhados de sudorese, formigamento, tremores ou taquicardia;
Ter casos na família de ataques de fúria;
Se arrepender logo que a raiva passar: ter consciência que feriu alguém de alguma forma;
Destruir objetos, independente do valor agregado a ele;
Agredir alguém e até mesmo incendiar algum lugar durante o ataque de raiva;
Impulsividade incontrolável: o ataque de raiva nunca é premeditado;
A cena ocorre sem premeditação, isto é, a pessoa não planeja fazer aquilo. Simplesmente explode;
Durante os ataques, há destruição de objetos e propriedades, sem preocupação com o valor;
Passado o acontecimento, a pessoa sente culpa, vergonha ou até mesmo arrependimento.

OUTROS SINTOMAS
Irritabilidade;
Aumento da energia;
Pensamentos acelerados;
Parestesias (formigamento);
Tremores;
Taquicardia;
Aperto no peito;
Sensação de pressão na cabeça.

AS CAUSAS
Como, afinal, surge a síndrome do pavio curto? 

Para alguns especialistas não existem uma causa propriamente dita, mais situações (biológicas e ambientais) prováveis, a saber:

Química cerebral
Primeiramente há uma causa neurobiológica, que acontece por uma desregulação dos neurotransmissores. 

Pode haver diferenças na maneira como a serotonina, age no cérebro.

Ambiente familiar
A maioria das pessoas com este transtorno cresceram em famílias onde o comportamento explosivo e abuso verbal e físico eram comuns. 
Estar exposto a este tipo de violência em uma idade precoce torna mais provável que essas crianças apresentam esses mesmos traços à medida que amadurecem. 

Genética
Pode haver um componente genético, fazendo com que a doença seja passada de pais para filhos.

Problemas do dia a dia e outros
Os fatores ambientais do dia a dia, como transporte público diariamente lotado, tecnologia que aumenta cobranças – é necessário estar disponível 24h por dia – e com traumas, como perdas, separações, acidentes, há um conjunto perfeito para o transtorno explosivo intermitente.

TRATAMENTO
A psiquiatra Daniela Gava e o psicólogo Marcelo Gianini, do Hospital São Cristóvão, em São Paulo, explicam que, normalmente, quem sofre da síndrome acaba se arrependendo depois de uma explosão. Além disso, a pessoa percebe claramente que feriu alguém de alguma forma.

Mesmo assim, nem sempre essa reflexão sobre as situações incontroláveis levam o doente a buscar ajuda. Para controlar o problema, é preciso ter acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

A psicoterapia cognitivo-comportamental ajuda a entender porque uma pessoa tem um comportamento explosivo e incontrolável nesses momentos. 

Em muitos casos, é preciso associar uma medicação junto com a psicoterapia. No entanto, há muito preconceito com os antidepressivos, medicamentos de escolha para essas ocasiões.

Outras técnicas também podem ser usadas para o tratamento da Síndrome, incluindo a Meditação, Yoga, Medicina Tradicional Chinesa e outras, com resultados satisfatórios.

MEDICAÇÃO
Pessoas que sofrem da Síndrome podem usar medicação passada por um Psiquiatra, sendo feito a escolha pelo profissional, tendo em vista a situação de cada caso.

Existe também medicação homeopata que trabalha a personalidade do indivíduo como todo, melhorando e até zerando a síndrome totalmente.

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