segunda-feira, 18 de abril de 2016

A REALIDADE DOS TRANSTORNOS MENTAIS


O nosso tema tem haver com a resistência que a sociedade em geral tem tido com a aceitação dos transtornos mentais.

Ou melhor, ainda existe muita gente que duvida da existência real dos transtornos mentais que os seus parentes, amigos e conhecidos alegam ter desenvolvido.

Com isso, existe o descanso e uma desvalorização do sofrimento daqueles que sofrem em decorrência do desenvolvimento de algum tipo de transtorno mental.

Logo, o tema serve para nos chamar a atenção para esse fato e para as pessoas terem em mente que assim como existe as enfermidades físicas, orgânicas, existem também as enfermidades da alma, ou melhor, os transtornos mentais que precisam de atenção.

Não só, isso esse tema leva para os ouvintes a informação de fatos que causam sofrimento e que precisa de atenção, sem desmerecimento, em frente a outras enfermidades comuns aos seres humanos.

O QUE É TRANSTORNO MENTAL
Os termos transtorno, distúrbio e doença combinam-se aos termos mental, psíquico e psiquiátrico para descrever qualquer anormalidade, sofrimento ou comprometimento de ordem psicológica e/ou mental. 

Os transtornos mentais são um campo de investigação interdisciplinar que envolvem áreas como a psicanálise, psicologia, a psiquiatria e a neurologia. 

AS BASES PARA O DIAGNÓSTICO
As classificações diagnósticas mais utilizadas como referências no serviço de saúde e na pesquisa hoje em dia são o Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais - DSM IV, e a Classificação Internacional de Doenças - CID-10.

A DIFERENÇA ENTRE DOENÇA E TRANSTORNO
Em psiquiatri, psicanálise e em psicologia prefere-se falar em transtornos, perturbações, disfunções ou distúrbios psíquicos e não em doença; isso porque apenas poucos quadros clínicos mentais apresentam todas as características de uma doença no sentido tradicional do termo - isto é, o conhecimento exato dos mecanismos envolvidos e suas causas explícitas. 

O conceito de transtorno, ao contrário, implica um comportamento diferente, desviante, "anormal". 

COMO A SITUAÇÃO É TRATADA NO BRASIL
No Brasil, a Câmara Federal aprovou em 17 de março de 2009, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 6013/01, do deputado Jutahy Junior (PSDB-BA), que conceitua transtorno mental, padroniza a denominação de enfermidade psíquica em geral e assegura aos portadores desta patologia o direito a um diagnóstico conclusivo, conforme classificação internacional.

O projeto determina que transtorno mental é o termo adequado para designar o gênero enfermidade mental, e substitui termos como "alienação mental" e outros equivalentes.
O que é normalidade?

O conceito de anormalidade só é compreensível em relação a uma norma; mas nem toda variação em relação a uma norma adquire caráter patológico. 

Assim uma pessoa superdotada ou um criminoso estão ambos "fora da norma", sem que no entanto seu estado tenha um caráter patológico. 

Assim, para se compreender o termo transtorno é necessário ter-se presente quais normas são relevantes para essa definição:

Norma subjetiva
A própria pessoa sente-se doente. 

No entanto, esta norma não é suficiente para uma definição, porque ela envolve uma percepção subjetiva do problema, que pode diferir de uma percepção externa, objetiva: além dos casos em que as duas perspectivas estão de acordo, há casos em que a pessoa está subjetivamente doente, mas esse estado é externamente não observável, ou vice-versa.

Norma estatística.
A norma é dada pela frequência do fenômeno na população. 

Assim, todas as pessoas que estão acima ou abaixo de um determinado valor de corte estão fora da norma. No entanto essa norma não leva em conta o valor dado às características levadas em conta. 

Assim uma pessoa que nunca teve cáries está tão fora da norma como uma pessoa que têm muitíssimas - aqui se vê também seu limite.

Norma funcionalista
Aqui a norma é ditada pelo prejuízo das funções relevantes. Assim, se alguém não consegue mover a mão está fora da norma, porque a mão não pode cumprir sua função de pegar. 

Enquanto a norma funcional é muito importante para os transtornos e doenças somáticas (ou corporais), não o é sempre no caso dos transtornos mentais, porque a função nem sempre é objetivável. 

Assim a sexualidade possui inúmeras funções - reprodução, prazer, comunicação, interpessoal… - de forma que se torna difícil definir os transtornos nessa área.

Norma social
Aqui o transtorno é definido a partir de normas e valores definidos socialmente. 

A perspectiva da etiquetação postula o seguinte desenvolvimento para tais normas: 

Desvio primário - a pessoa desrespeita um determinada norma social e isso pode levar a duas reações: ou o comportamento é normalizado (através de tolerância, racionalização, discussão)e assim o conflito é solucionado, ou o conflito não se soluciona de maneira positiva e a pessoa recebe uma "etiqueta" (ex. um diagnóstico, uma condenação jurídica…) e recebe assim uma atenção especial. 

Esse estigma leva a um:

Desvio secundário - a pessoa, em reação à etiquetação, começa a comportar-se de maneira diferente em conformidade com o novo papel social recebido: a pessoa começa a comportar-se de acordo com a etiqueta recebida. Esse é um dos grandes problemas ligados a todos os tipos de classificação e diagnóstico.

Norma dos especialistas
Esta é uma forma especial de norma social, definida por uma categoria especial de pessoas - os especialistas (médicos, psicólogos, etc.). 

Como as normas sociais, também estas estão sujeitas a certa dose de arbitrariedade. 

Os atuais sistemas de classificação (DSM-IV e CID-10) são formas especiais de normas de especialistas que têm por fim reduzir os perigos dessa arbitrariedade.

A REALIDADE DA PRESENÇA DOS TRANSTORNOS MENTAIS NA POPULAÇÃO
Estudos recentes estimam que entre 32%  e 65% adultos sofreram em algum momento da vida de um transtorno mental. 

A grande diferença entre as estimativas dos dois trabalhos devem-se às dificuldades metodológicas envolvidas nesse tipo de trabalho.

No entanto a literatura parece unânime em afirmar que os transtornos mais frequentes são as diferentes formas de fobia (9,2-24,9%), sobretudo as fobias específicas, a fobia social e a agorafobia; o abuso e a dependência de substâncias químicas (17,7-26,6%), sobretudo álcool; e os transtornos afetivos (5,5-19,8%), sobretudo a depressão. Outros transtornos são muito menos comuns.

Ao contrário do que se pensa normalmente, os transtornos mentais são relativamente frequentes na população infanto-juvenil: entre 15% e 22% da população apresenta alguma forma de distúrbio nessa faixa etária, sobretudo as fobias, abuso e dependência de substâncias e transtornos afetivos.

Além disso, há indícios de que a frequência dos transtornos mentais não aumenta com a idade, com exceção dos transtornos da cognição causados pela demência.

Os transtornos afetivos, os devidos à ação de substâncias psicoativas e os transtornos neuróticos (ou seja, ligados ao medo) costumam se manifestar pela primeira vez nas três primeiras décadas de vida. 

Enquanto a maioria desses transtornos aparece ais frequentemente a partir do fim da puberdade e do início da idade adulta, as fobias específicas tendem a se manifestar pela primeira vez já na infância e na adolescência.

Outro fenômeno muito comum é a comorbididade dos transtornos mentais: um distúrbio costuma vir acompanhado de um ou até mais transtornos.

Ou melhor, a existência dos transtornos mentais é uma realidade e com base nisso, precisamos encarar tal situação com seriedade e como sendo algo importante.

AS REAÇÕES DE FUGA DIANTE DA EXISTÊNCIA DOS TRANSTORNOS MENTAIS
Aqui indico algumas posturas que a pessoas demonstram diante de outra pessoa que apresenta sintomas de transtornos mentais:

IGNORAR
Não, isso é besteira, isso não existe. 

DIMINUIÇÃO OU DESVALORIZAÇÃO DOS SINTOMAS
Isso é só um sentimento psicológico, algum criado pela sua mente. Pense em outra coisa, pense positivo que isso passa.

ESPIRITUALIZAR
Isso que você sente é a falta de Deus, de ir à igreja, de rezar, de orar, etc.

DEMONIZAR
Isso é coisa do inimigo, é um encosto, é algo que alguém que não gosta de você fez para você, uma bruxaria.

DESMERECER A CAPACIDADE MENTAL
Isso é coisa de gente que tem a mente fraca, você precisa ser forte, pensar positivo.

DESVALORIZAR O SOFRIMENTO
Isso é frescura, tá querendo chamar a atenção.

PRECONCEITO
O preconceito aparece como a soma de tudo o que foi dito anteriormente.

Todas as reações citadas tem vínculo com a ideia de que só se deve levar a sério um sintoma se ele tiver origem física ou orgânica, mas poucas pessoas percebem que a dor ou sofrimento causado por algo imaterial causa maior sofrimento do que aquele que é material.

Não só isso, as pessoas tem um corpo e uma mente, sem entrar aqui no mérito da espiritualidade.

Aqui é quando muitas pessoas erram, inclusive alguns médicos, pois desconhece a importância da mente sobre o corpo humano.

Dai porque muitos médicos permitem o sofrimento e até mesmo a exclusão do ser por não reconhecer a existência dos transtornos mentais.

O QUE AS PESSOAS QUE APRESENTAM ALGUM TIPO DE TRANSTORNOS MENTAL NECESSITA

APOIO FAMILIAR
O apoio familiar é fundamental para a recuperação de qualquer transtorno mental. Sem apoio familiar nem a medicação funciona, e o mesmo acontece com a psicoterapia.

O papel dos familiares não é de julgamento ou desvalorização, mas apoiar, ouvindo e caso tenha dúvida buscar um especialista, 

BONS ESPECIALISTAS
Assim como se procura bons especialistas para tratar das enfermidades físicas e orgânicas, se deve fazer o mesmo para os transtornos mentais.

APOIO DURANTE O TRATAMENTO
O apoio durante o tratamento é fundamental, pois as vezes os familiares querem um retorno imediato, assim como acontece com as enfermidades físicas e orgânicas. É preciso tempo para uma pessoa se recuperar de um transtorno mental, não importando qual seja esse transtorno.

Não se faz psicoterapia com pressa, nem com mágica, é preciso paciência e muito investimento.

PACIÊNCIA E COMPREENSÃO
Uma vez havendo um desenvolvimento de um transtorno mental, todos os envolvidos, familiares, parentes e amigos devem desenvolver a paciência e compreensão.

Não adianta buscar culpados, nem culpadas quando surge um transtorno mental.

CAPACIDADE PARA ADMINISTRAR A SITUAÇÃO
Algo extremamente importante para que a pessoa possa é a capacidade para administrar a situação, em especial se a pessoa tem uma ligação direta com você.

Aqui vem a capacidade de se conter, de refletir e desenvolver uma estratégia para lidar com as alterações que surgem durante o tratamento.

ENCORAJAMENTO
Encoraje, aqui pode haver uma solução e uma juda. Leve a pessoa a pensar positivo, a olhar pra frente.

O QUE AS PESSOAS QUE TEM TRANSTORNOS MENTAIS NÃO PRECISAM

JULGAMENTO
O julgamento não ajuda em nada, em especial pelo fato de que quando você julga alguém que desenvolveu um transtornos mental você estar sendo injusto.

CRÍTICA
A crítica é algo extremamente prejudicial. Nunca critique alguém por que tem um transtorno mental, isso é falta, pois gera o sentimento de culpa, assim como o julgamento.

MENOSPREZO
Menosprezo simplesmente aniquila a pessoa. Nunca menospreze a pessoa que tem um transtorno mental. Isso nunca ajuda, só atrapalha.

PRECONCEITO
Outra coisa terrível, o preconceito. Ele mata, aniquila a pessoa, pois leva a pessoa a se sentir um lixo, quando não inferior aos demais.

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