quarta-feira, 18 de outubro de 2017

EROTIZAÇÃO INFANTIL E SUAS CONSEQUÊNCIAS



A infância é um período fundamental para o desenvolvimento de um indivíduo, porque é a fase em que ele desperta seus sentidos, suas capacidades, sua imaginação e também seus processos cognitivos.

Entretanto, o que se percebe, hoje em dia, é que esse período está sendo cada vez mais acelerado. 

A exposição dos pequenos a conteúdos inapropriados para sua faixa etária pode criar o que é chamado de erotização infantil. Parece óbvio dizer isso, nós sabemos, mas crianças não são adultos.

As crianças acabam pulando partes importantes dessa fase da vida e dão espaço a uma mentalidade adulta, que começa, muitas vezes, com o uso de roupas nada infantis, sapatos de salto alto, cosméticos e também acessórios, ações que podem parecer normais.

O DESENVOLVIMENTO SEXUAL NA VISÃO DE FREUD
Em 1905, ele publicou Os três ensaios sobre a sexualidade, num dos quais abordava especificamente a sexualidade infantil - conceito fundamental para a Psicanálise, até os dias atuais.

Para Freud, a sexualidade da criança possui duas características principais: é perversa e polimorfa. Isto significa dizer que ela é auto-erótica e satisfeita através da estimulação de zonas erógenas no próprio corpo da criança. As fases do desenvolvimento infantil, segundo a teoria freudiana, estão ligadas ao deslocamento da libido (energia sexual) a cada uma dessas zonas. 

Assim, a criança deve passar pela fase oral (obtendo prazer pela sucção do seio materno, da chupeta, do dedo, ou levando os objetos à boca), pela fase anal (quando aprende a controlar a atividade esfincteriana), e por outras, até chegar à puberdade. 

A auto-estimulação de zonas erógenas não se configura propriamente como uma masturbação - atividade característica da puberdade - e sim como um tipo de sexualidade especialmente infantil, diferente da adolescente e da adulta. 

Logo não existe aqui necessidade de estimulação externa para que a criança desenvolva sua sexualidade, como alguns leigos defendem, alias toda estimulação externa empregada para estimular a sexualidade infantil trás prejuízos para criança.

Na verdade a estimulação sexual de qualquer criança, menino ou menino gera o que chamamos de erotização precoce, que não deixa de ser uma violência sexual, com resultados impactantes para vida toda da criança.

A REALIDADE NUMÉRICA DOS RESULTADOS DA EROTIZAÇÃO
O número de meninas de 10 a 14 anos, que tiveram filhos pela primeira vez, quase dobrou em 2012, em relação a 2011. Foram 20.632 crianças e adolescentes, segundo pesquisa do IBGE tendo como base o Censo 2012. 

Estudos do SIPIA (Sistema de Informação para a Infância e Adolescência) indicam que no Brasil, a cada 4 horas uma criança sofre abuso sexual. 

Além disso, outro fator complicador é a impunidade quase certa pra quem pratica esse tipo de crime. 

Segundo dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o índice de resolução de crimes de agressão aponta para vergonhosos 9%, sem contar com o cumprimento da pena, já que a pesquisa refere-se à resolução somente como sentença judicial.

EROTIZAÇÃO PRECOCE
O sexo e tudo que o envolve, sedução, conquista, intimidade, prazer e reprodução, faz parte do mundo dos adultos. Assim como o trabalho e a responsabilidade civil ou criminal. 

Incentivar ou permitir que uma criança, fale se vista ou dance como adultos é como assistir passivamente aos menores que trabalham nos fornos de carvão ou nos canaviais do nordeste. 

Permitir, incentivar, insinuar ou expor crianças em publico desnuda, ou seminua ou em situação que não própria para criança implica em erotização erótica.

A erotização precoce da criança é abuso, pois favorece a violência que atinge milhares de pessoas diariamente.

O QUE CARACTERIZA A EROTIZAÇÃO INFANTIL
A erotização infantil é caracterizada pelo incentivo e ou a exposição da criança e do adolescente de 0 anos até 14 anos de idade a situações ligadas a sexualidade própria do adulto.

Vejamos algumas situações que podem indicar a erotização infantil:

Estimular, incentivar ou expor crianças a:
Convívio com pessoas que vivem na libertinagem ou promiscuidade;
Vivência da criança em locais impróprios para sua idade;
Danças sensuais, próprias para adultos;
Uso de roupas que sensualizam a crianças, próprias para pessoas adultas;
Uso de maquiagem que sensualiza a criança;
Uso de sapatos de salto alto;
Uso de roupas íntimas próprias para pessoas adultas;
Pouse sensuais, através de fotos ou como modelos;
Fotos com crianças como peças de roupas ou sapatos que indique sensualidade própria dos adultos.

PERPLEXIDADE E PASSIVIDADE DA SOCIEDADE DIANTE DO FENÔMENO.
Uma tendência social demora a se tornar “aberração”. 

Até que os números sejam coletados e os dados vistos como alarmantes muitas vítimas já foram feitas. As pessoas tendem a ver a violência, as drogas e até a erotização precoce como algo distante, que acontece aos filhos dos outros. Mas é fato de que ela pode atingir qualquer família, logo não a preocupação não é algo que pertence apenas aos outros.

O silêncio tolerante da sociedade frente à realidade da erotização infantil, da exposição à violência, da exploração comercial sexual de crianças e adolescentes fere princípios éticos, liquida valores fundamentais, corrompe a sensibilidade de um povo e ameaça profundamente a constituição de uma sociedade justa.

O não fortalecimento da rede de proteção básica passa obrigatoriamente pela irresponsabilidade de pais despreparados, pelo ensino deficiente, pela ineficácia da fiscalização pública, pelo desinteresse geral da imprensa, pelo utilitarismo sórdido da propaganda, pela promiscuidade de setores da mídia, pela impunidade dos criminosos e pela negligência do Estado que se omite nas questões fundamentais geradoras de violência, pela qual morrem no Brasil, todos os dias, 100 crianças.

FENÔMENO SOCIAL IMPOSTO PELA MÍDIA
Os meios de comunicação, ao contrário do que muitos pensam, não têm o menor compromisso com a cultura e a formação dos indivíduos. É uma vitrine de tudo que pode vender milhões, não importando a qualidade do produto.

O PAPEL DA MÍDIA
O papel hoje é disseminar um culto à celebridade, que dá lugar ao surgimento de uma espécie de casta na sociedade, a casta dos famosos.

A EROTIZAÇÃO INFANTIL FAVORECE AO ABUSO E A VIOLÊNCIA SEXUAL
O abuso sexual infantil consiste em todo ato ou jogo sexual, seja ele homossexual ou heterossexual, cujo agressor encontra-se em um estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado do que a criança ou o adolescente, sejam eles pais, responsáveis, conhecidos ou desconhecidos. O autor da violência sexual pode ser também um adolescente que tenha três ou cinco anos a mais que a vítima. 

O agressor tem por intenção estimulá-la sexualmente ou utilizá-la para obter satisfação sexual, ocorrendo manipulação, contato oral, genital, estimulação ou a penetração anal. 

É imposta à criança e ao adolescente, práticas eróticas e sexuais, podendo também variar desde atos nos quais não se produz o contato físico, como o voyeurismo, exibicionismo e produção de fotos, até diferentes tipos de ações incluindo o contato sexual com ou sem penetração.

O abuso sexual pode ser classificado como extrafamiliar ou intrafamiliar, sendo este o mais frequente. 

O abuso sexual extrafamiliar ocorre fora do ambiente familiar, no qual o abusador é geralmente desconhecido. O agressor se torna amigo da vítima e após obter a sua confiança a agride sexualmente. 

Após a agressão, ocorrem ameaças à criança, como por exemplo, “não poderemos ser mais amigos se você contar a alguém” e a criança devido à culpa que sente e por acreditar na amizade silencia-se. 

O abuso sexual representa uma verdadeira catástrofe na vida de uma criança e produz uma devastação da estrutura psíquica que afeta seus distintos aspectos”.

AS CONSEQUÊNCIAS DO ABUSO SEXUAL
Os adultos que sofreram abuso na infância ficam lesados em sua autoestima, e em consequência disso, a vulnerabilidade das mulheres em relação a homens sexualmente exploradores aumenta, e sua capacidade de proteger os filhos diminui. 

Frequentemente o abusador reproduz os modelos de violência que vivenciou em sua infância, gerando o ciclo da violência, porém é importante ressaltar que nem todas as vítimas tornam-se agressores.

As crianças e os adolescentes que sofreram abuso sexual apresentam comportamentos como sentimento de culpa, depressão, baixa auto- estima, timidez, agressividade, medo, embotamento afetivo, isolamento, dificuldade em confiar nos outros, alterações de sono, dores abdominais, fugas de casa, sexualidade exacerbada, etc.

Entre os efeitos em curto prazo, observou-se a aparição de fobias, atraso escolar e enurese, mais tarde notou-se a gravidez na adolescência e tentativas de suicídio. a criança abusada sexualmente vivencia uma situação de ameaça e desamparo, sendo a angústia experimentada de morte. 

O sentimento de desamparo é consequência da quebra de confiança das figuras que esperava proteção amorosa. Ressalta que a condição da criança como sujeito é abolida e o agravante é que a violência exercida pelo adulto, que deveria ser referência de modelo para suas relações futuras foi o responsável pela anulação da sua própria subjetividade. 

A criança sente-se traída e ao mesmo tempo culpada, pois é levada a fantasiar que foi a causadora de sua própria situação de abuso, criando-se um vínculo maior em relação ao silêncio. 

A imagem que a criança tem de si e do mundo torna-se distorcida, ocorrendo uma confusão na percepção de si mesma, e de suas emoções, pois a vivência traumática ocorre em um período de grande vulnerabilidade, no qual a criança está desenvolvendo sua capacidade de elaboração psíquica.

TRANSTORNOS MENTAIS, OUTRA CONSEQUÊNCIA DO ABUSO E DA VIOLÊNCIA SEXUAL
As consequências que o abuso pode acarretar às crianças vitimadas são o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), Transtorno Dissociativo, Transtorno Depressivo Maior, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtornos Alimentares.

Podem apresentar sentimentos de culpa, baixa autoestima, timidez, agressividade, medo, embotamento afetivo, isolamento, dificuldade em confiar em outras pessoas.

Alterações no sono, dores abdominais, fugas de casa, mentiras, sexualidade exacerbada e desesperança em relação ao futuro. Revelam que o comportamento da mãe frente o abuso pode influenciar negativa ou positivamente no desenvolvimento da criança.

As consequências mais observadas em crianças e adolescentes são a depressão, agressividade, medo, sexualidade exacerbada e dificuldade em confiar-nos outros. 

Crianças que sofreram o abuso apresentaram problemas de Aprendizagem, transtorno psicossomático, sexualidade exacerbada, culpa, fobias e medos noturnos. 

Entre as consequências mais observadas em mulheres eram a depressão, a ansiedade e problemas de relacionamento, vividos por diversas vezes de forma violenta. 

Em alguns casos, as mulheres apresentavam sexualidade exacerbada e que, por diversas vezes tinham uma imagem confusa de si mesmas e fobias. 

Outros estudos revelam que as mulheres abusadas sexualmente na infância manifestavam depressão, comportamento autodestrutivo, ansiedade, sentimentos de isolamento, baixa autoestima e tendência à revitimação e abuso de substâncias.

QUAL O PAPEL DA SOCIEDADE
O papel da sociedade é proteger a criança independente de qualquer coisa, não importa qual ideologia politica, social e religiosa ela tenha, é sua obrigação proteger a inocência da criança e favorecer um ambiente sadio para que a criança venha a desenvolver sua sexualidade naturalmente. 

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