segunda-feira, 10 de novembro de 2014

DEPENDÊNCIA (VÍCIO) DA INTERNET NA ADOLESCÊNCIA


A dependência da internet foi pesquisada pela primeira em 1996. Nesta ocasião foram estudados 600 casos de pessoas que apresentavam sintomas de dependência, sendo usando na época uma versão adaptada dos critérios usados para o Jogo de Azar do DSM –IV.
 
A terminologia ainda é algo debatido entre os estudiosos e profissionais, alguns usam termos como “dependência da internet”, outros “vícios da internet” e ou “uso compulsivo da internet” O diagnóstico ainda se encontra ligado a outras dependências estabelecidas, tais como transtornos do controle dos impulsos.
 
A dependência da internet tem características para ser reconhecida como um transtorno de espectro impulsivo – compulsivo, envolvendo uso excessivo da internet para jogos e preocupações sexuais.
 
As características mais importantes no diagnóstico
Este transtorno inclui quatro componentes, a saber:
1. Uso excessivo, envolvendo a perda da noção do tempo e negligências de impulsos básicos;
2. Abstinência, incluindo o sentimento de raiva, tensão e/ou depressão quando não se encontra diante do computador;
3. Tolerância, incluindo a necessidade de equipamentos melhores, mais tecnologia e software e/ou mais horas de uso;
4. Repercussão negativa, incluindo briga, mentiras, baixo desempenho, isolamento social e fadiga.
 
Tipos de dependência
Existem dois tipos de dependência, a saber: A específica e a generalizada.
 
A específica envolve o uso excessivo de conteúdos específicos da internet, como por exemplo, jogo de azar, jogos, vídeo games, filmes pornôs, etc.
 
A generalizada envolve o uso multidimensional e excessivo da internet, resultando em consequências negativas para a pessoa na área pessoal e profissional.
 
Sintomas de alerta para uma possível dependência
Caso você tenha uma adolescente ou jovem com esses sintomas ou comportamento, deve estar atento para uma possível dependência.

• Preocupação excessiva com a internet;
• Necessidade de aumentar o tempo conectado com a internet (online) para ter a mesma satisfação;
• Exibi esforços repetitivos para diminuir o tempo de uso da internet;
• Fica irritado quando não usa a internet;
• Fica depressivo quando não usa internet;
• Quando o uso da internet é restringido apresenta labilidade emocional (a internet como forma de reguladora emocional);
• Permanece mais conectado (online) do que o tempo programado;
• Trabalho e relações sociais em risco pelo excesso de uso da internet;
• Mente aos outros a respeito da quantidade de horas que usa com a internet (online);
• Acessa mais jogos de azar na internet do que qualquer outra coisa;
• Acessa mais jogos comuns na internet do que qualquer outra coisa;
• Acessa mais filmes na internet do que qualquer outra coisa;
• Acessa mais filmes e vídeos pornográficos na internet do que qualquer outra coisa;
• Acessa tudo que existe na internet, sem preferência;
• Perdeu a rotina diária em decorrência da internet;
• Descuida da higiene do corpo por estar muito tempo diante da internet (online);
• Ganho de peso por estar muito tempo sentado, sem fazer movimentação;
• Tem dito baixo rendimento escolar por estar muito tempo na internet (online);
• Perde sono ou tem sono insônia por não usando a internet (online);
• Tem preferência pelos contatos virtual em vez dos contatos reais, face a face;
• Prefere ficar em casa a sair com os pais, amigos ou familiares para ficar na internet (online);
• Tem poucos contatos virtuais do que sociais reais (face a face);
• Fica isolado, não apresentando nenhuma preocupação com o mundo real;
• Age de maneira agressiva quando perde um jogo ou quando alguém chama ou incomoda quando estar diante da internet (online);
• Fica ansioso e quer voltar logo para casa quando sai de casa com os pais ou parentes;
• Dispensa comumente os amigos e pessoas do convívio familiar para ficar diante da internet (online);
• Apresenta sinais de disfunções cognitivas;
• Apresenta sinais de tique nervosos (roer unhas, morder partes do corpo, puxa roupa, etc);
• Apresenta um amento da ansiedade quando não estar diante da internet (online);
• Tem dificuldade de se alimentar ou sentar na mesa com os demais familiares e prefere estar diante da internet (online);
• Tem mais interesse na internet do que em atividade outras como passei, televisão, amigos, etc;
• Apresenta desespero e angustia com a possibilidade de ficar sem internet;
• Apresenta surtos quando na falta a internet, ao ponto de gritar, desmaiar ou sair correndo;
• Responde pai, mãe e outras pessoas adultas pelo fato dessas pessoas lhe pedirem que saia da internet;
• Apresenta um comportamento rebelde, ao ponto de agredir pai, mãe, irmãos ou outras pessoas pelo fato; dessas pessoas tentarem coibir o uso da internet;
• Evita e recusa a  ir lugares que não tenham internet;
• Esqueça ou deixa de ir a compromissos sérios, normais e diários devido ao uso da internet;
• Muda rotina, agenda e desmarca compromisso tendo como motivo maior o uso da internet.
 
Prevalência entre adolescentes e jovens
De modo geral as estatísticas indicam que a prevalência de dependência para com a internet entre os adolescentes varia entre 4,6% a 4,7%, já entre universitários os números aumentam e chegam a 13% a 18,5%, deixando claro que essa população corre mais riscos.
 
As consequências da dependência
As consequências da dependência são várias, mas as que mais chamam a atenção são:
• Baixo rendimento escolar, tendo em vista a procrastinação acadêmica, sendo em algumas pesquisas, o Facebook o que tira mais a atenção dos estudantes;
• Aumento da agressividade e irritabilidade diante das cobranças dos pais, parentes e amigos;
• Ansiedade aumentada em decorrência do sentimento de culpa, bem como o desejo de usar o computador por mais tempo;
• Perda de tempo para com a execução de atividades necessárias para a sobrevivência;
• Perda de oportunidades que atrapalham o desenvolvimento estudantil e profissional;
• Descuido para com as necessidades básicas como alimentação, higiene do corpo, sono, descanso e lazer;
• Isolamento social e perda de amigos no campo da realidade, tornando a pessoa incessível para com as coisas do dia a dia;
• Sintomas da abstinência que leva a pessoa a sofrer constantemente de variação de humor, podendo ser agressivos com os pais, irmãos e amigos.
 
Quem corre risco de ficar dependente do computador e internet?
É claro que qualquer pessoa pode e corre o risco de se tornar um dependente do computador e da internet, mas seguramente, existem algumas pessoas que correm mais risco, vejamos:
• Pessoas com múltiplas dependências como de álcool, cigarros, drogas, comida ou sexo são as correm mais risco de se tornarem dependentes da internet. Essa situação acontece pelo fato dessas pessoas estarem fugindo da realidade, sendo assim, a internet um meio de distração conveniente, atrativa e fisicamente segura dos problemas da vida real.

• Pessoas com baixa autoestima, com falta de habilidade social, depressão e que sofrem de solidão. Essas pessoas recorrem ao computador e a internet para fazer a compensação e diminuir a dor e sofrimento.

• Pessoas que sofreram perdas e/ou passaram por divórcios ou separação. Essas pessoas podem fazer uso do computador e da internet além do normal e também como meio de fuga da realidade tornando-se dependentes.
 
A causa da dependência
O desenvolvimento sofre causas situacionais como problemas pessoais, mudança de vida (divórcio recente, recolocação profissional, perdas e morte de alguém da família). Essas pessoas buscam o computador e a internet como fuga psicológica que o distrai de uma situação dolorosa, ou uma situação difícil da vida real.
 
O tratamento
A psicoterapia é essencial no tratamento. Ela vai ser importante para tratar à dependência e os sintomas psicossociais (por exemplo, fobia social, insônia, insatisfação conjugal, ou esgotamento profissional) que normalmente estão acoplados a primeira situação.
 
As técnicas cognitiva e comportamental são por demais usadas no tratamento, no entanto, outras técnicas são também de grande valia como psicoterapia analítica e a psicanálise.
 
O apoio e psicoterapia familiar são de grande valia, pois dão aos familiares as informações, as técnicas de como lidar com o problema e a dimensão do mesmo para melhor ser administrado por todos, visando a recuperação do dependente.
 
Em alguns casos usa-se medicação para diminuir a ansiedade e sintomas da abstinência em situação graves de agressividade e irritação.
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