quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A PAZ


A Paz é geralmente definida como um estado de calma ou tranquilidade, uma ausência de perturbações e agitação. 

Derivada do latim Pacem = Absentia Belli, pode referir-se à ausência de violência ou guerra. 

Neste sentido, a paz entre nações e dentro delas, é o objetivo assumido de muitas organizações, designadamente a ONU.

No plano pessoal, paz designa um estado de espírito isento de ira, de desconfiança e - de um modo geral - de todos os sentimentos negativos. 

Assim, ela é desejada por cada pessoa para si próprio e, eventualmente, para os outros, ao ponto de se ter tornado uma frequente saudação (que a paz esteja contigo) e um objetivo de vida.

A paz é mundialmente representada pelo pombo e pela bandeira branca.

Paz também é um estado de espírito, onde o ser se encontra equilibrado e sereno, com isso, encontrando a sua total paz interior.

TIPOS DE PAZ
Paz Eterna
Conceito elaborado pelo filósofo Immanuel Kant, inspirado nos ideais da Revolução Francesa. 

Designa um estado de paz mundial, obtido através de uma "república" única, capaz de representar as aspirações naturalmente pacíficas de todos os povos e indivíduos. 

Como o próprio filósofo esclarece, o termo é derivado de uma piada, onde a inscrição "Paz Eterna" é usada como legenda na ilustração de um túmulo.

Paz pela Lei
Lema da Organização do Tratado do Atlântico Norte, baseia-se na ideia de Kant e sugere que a paz deva ser obtida através de legislação em assuntos internacionais, capaz de regulamentar as relações diplomáticas, os conflitos de interesse, etc.

Paz pela força
Obtida quando um indivíduo, instituição ou Estado é fortalecido de tal forma, que toda tentativa de subversão do status quo é desestimulada. Em inglês original, peace through strength.

Paz de terror
Ocorre quando nações são capazes de causar destruição total umas às outras através de artefatos bélicos poderosos (bombas atômicas, por exemplo). 

A posse de tais arsenais desestimula as agressões mútuas. Conceito sugerido pelo estudioso Raymond Aron em seu livro "Peace and War Among Nations".

TEORIAS
Muitas diferentes teorias de "paz" existem no mundo da polemologia, que envolve o estudo da transformação dos conflitos, desarmamento e cessação de violência.

A definição de paz pode variar de acordo com a religião, cultura ou matéria de estudo.

A paz é um estado de equilíbrio e entendimento em si mesmo e entre outros, onde o respeito é adquirido pela aceitação das diferenças, tolerância, os conflitos são resolvidos através do diálogo, os direitos das pessoas são respeitados e suas vozes são ouvidas, e todos estão em seu ponto mais alto de serenidade sem tensão social.

Teoria dos Jogos
O jogo de guerra e paz é uma abordagem de teoria dos jogos em relação à paz e resolução de conflitos. 

Um jogo iterado originalmente tocado em grupos de acadêmicos e por modelagem computacional por muitos anos a fim de estudar possíveis estratégias de cooperação e agressão.

Como os peace makerstornaram-se mais ricos ao longo do tempo, tornou-se claro que fazer a guerra tinha custos mais altos do que inicialmente previsto. 

A única estratégia que acumulava riqueza mais rapidamente era a "Genghis Khan", um agressor constante fazendo a guerra continuamente para ganhar recursos. 

Isto levou ao desenvolvimento da estratégia "cara agradável provocante", um pacificador até ser atacado, desenvolvido apenas para ganhar através de perdões ocasionais, mesmo quando atacado.

Vários jogadores continuam a ganhar riqueza cooperando uns com os outros, enquanto prejudicam o agressor constante. 

Tais ações levaram, em essência, para o desenvolvimento da Liga Hanseática que visava ao comércio e defesa mútua depois de séculos de depredação Viking. 

Teoria da paz democrática
A teoria da paz democrática afirma que as democracias nunca entrarão em guerra umas com as outras.

Teoria da paz ativa
A partir dos ensinamentos de Johan Galtung, norueguês co-fundador do campo da polemologia, em 'paz positiva', e dos escritos de Maine Quaker Gray Cox, um consórcio de pesquisadores e disputantes na iniciativa experimental da Faculdade John Woolman chegaram a uma teoria da paz ativa. 

Esta teoria postula que a paz faz parte de uma tríade, que inclui também a justiça e a totalidade (ou bem-estar), em consonância com interpretações acadêmicas escritas do significado da palavra hebraica antiga S-L-M, ou "Shalom", chamado por alguns de a palavra da Bíblia para salvação, a justiça e a paz. 

Além disso, o consórcio integrou o ensino de Galtung dos significados dos termos da paz, manutenção da paz e construção da paz, para também se encaixarem em uma formulação triádica.

Vermont Quaker John V. Wilmerding, Jr., fundador da John Woolman College, postula cinco estágios de crescimento aplicáveis a indivíduos, comunidades e sociedades, sendo que uma transcende primeiro a consciência da "superfície", que a maioria das pessoas tem, emergindo sucessivamente em aquiescência, pacifismo, resistência passiva, resistência ativa, e finalmente em paz ativa, dedicando-se à pacificação, manutenção da paz, e/ou construção da paz.

Muitas pazes
Seguindo Wolfgang Dietrich, Wolfgang Sützl e os estudos da paz da Faculdade de Innsbruck, alguns pensadores abandonaram qualquer definição única e abrangente de paz. 

Em vez disso, eles promovem a ideia de muitas pazes. 

Eles argumentam que, como não existe uma definição única ou correta de paz, a paz deve ser entendida como uma pluralidade. 

Esse entendimento pós-moderno da paz foi baseado na filosofia de Jean-François Lyotard. 

Ele serviu como base para o conceito mais recente de paz trans-racional e transformação de conflitos.

Pazes trans-racionais
Em 2008, Wolfgang Dietrich alargou a sua abordagem anterior das muitas pazes às chamadas "cinco famílias" de interpretações da paz: abordagem energética, moral, moderna, pós-moderna e trans-racional.

A trans-racionalidade une a compreensão racional e mecanicista da paz moderna em uma maneira relacional e baseada na cultura com narrativas espirituais e interpretações energéticas.

A compreensão sistêmica das pazes trans-racionais defende um método de transformação de conflitos centrado no cliente, a abordagem chamada de elicitiva. 

Realidade da paz
Para muitos a paz é algo ideal e que nunca irá se concretizar, quando não, ela nunca será perpétua, pois assim a humanidade sucumbiria. Existem aqueles que defendem a guerra como maneira de evoluir a humanidade.

Hermann Hesse, afirma “A paz não é um estado primitivo paradisíaco, nem uma forma de convivência regulada pelo acordo. A paz é algo que não conhecemos que apenas buscamos e imaginamos. A paz é um ideal”, o que indica que o ideal da paz nunca será atingido nesse plano.

Se a paz existir, ela é pra pouco, assim já dizia Millôr Fernandes, “Paz na terra aos homens de boa vontade”. Isto é, paz para muito poucos.

A paz talvez não inclua todos tendo e visto a necessidade de esforço que ela requer dos envolvidos nosso processo.

Mas o que Heródoto diz-nos chama a atenção, assim ele se expressa “Em época de paz, os filhos enterram os pais, enquanto em época de guerra são os pais que enterram os filhos” o que implica em dizer que a ausência da paz dizima as próximas gerações.

Sem querer espiritualizar arrisco em dizer que paz talvez esteja aqui: “Eu só quero viver em paz e usufruir o que Deus nos deixou no mundo, não preciso de riquezas materiais para ser feliz. Apenas quero sentir o que Deus nos fala em nossos ouvidos em um simples soprar do vento”. Bob Marley

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