sexta-feira, 17 de junho de 2016

AMOR PATOLÓGICO – PAIXÃO OBSESSIVA


O amor patológico é uma doença que causa dependência como se fosse uma droga, só que nesse caso, a droga não é um produto químico ou álcool, é o parceiro ou parceira.

O amor patológico atinge com mais frequência as mulheres, mas os homens também podem sofrer desse mal.

IDENTIFICAÇÃO
Para saber se alguém tem amor doentio é só analisar o relacionamento.

Quando a pessoa chega a um ponto que o amor fica obcecado e a pessoa deixa a sua vida para viver a do outro ou não permite que o parceiro tenha vida própria.

Outro sinal, quando a pessoa deixa os amigos e o parceiro passa a ocupar mais espaço do que a família, o trabalho e outros afazeres, ou o medo da relação acabar é incontrolável e se começa a seguir e vigiar o outro, é certo que o amor deixou de ser algo saudável e se transformou num vício.

Caso isso aconteça, temos ai o amor patológico instalado.

Ou melhor, temos uma paixão obsessiva, podendo ocorrer aqui tudo o que é imaginável.

DISTINÇÃO ENTRE PAIXÃO, AMOR E AMOR/PAIXÃO OBSESSIVO.
Existe uma distinção entre paixão, amor e amor/paixão obsessiva. 

Paixão
Paixão, amor e paixão obsessiva são estágios diferentes que podem ser desenvolvidos na vida de quem tem seus sentimentos mexidos por alguém.

A paixão é muito parecido com obsessão, a diferença é que a paixão representa uma emoção comum aos seres humanos e ela se apresenta no primeiro contato que temos com alguém que mexe conosco.

A paixão é passageira, e causa inúmeras reações, até mesmo adversas, mas passa logo.

A paixão leva a pessoa a ter sintomas físicos, como palpitações, nervosismo, boca seca, inquietação, etc., mas isso por pouco tempo.

Amor
O amor é mais sólido e vem com o tempo, ele vai evoluindo com a vivência da pessoa com a outra, com as descobertas dos altos e baixos de ambos.

O amor é crescente, vai se aperfeiçoando com o tempo.

Quando se ama, os sintomas físicos são bem menos, as vezes, desaparecem, pois existe um equilíbrio e aceitação mútua, que leva a estabilidade.

Não existe mais aquele nervosismo, mas ainda permanece a necessidade de estar perto, proteger e dividir a vida juntos.

Paixão obsessiva
A paixão obsessiva é o adoecimento do amor. Quando o amor vira obsessão, temos aqui uma patologia, pois tudo o que era real na fase da paixão voltam com toda força e fora da normalidade, causado prejuízos.

Aqui a pessoa passa a dominar todo o pensamento do outro e a possibilidade de perde-lo leva a pessoa ao desespero, ao pânico, levando a um comportamento e atitudes absurdas.

A paixão obsessiva é considerada uma enfermidade mental, um transtorno de obsessão compulsiva, mais precisamente um transtorno compulsivo.

A paixão obsessiva quando não é levada a sério pode trazer inúmeros prejuízos para a pessoa, para a pessoa com quem ela estar envolvida e para os familiares.

LIMITE ENTRE O AMOR SAUDÁVEL E O AMOR DOENTIO
Existe uma dificuldade para perceber o limite saudável para o doentio, isso devido a uma questão cultural de que em um relacionamento amoroso, principalmente no início, é normal amar exageradamente, demonstrar que ama e fazer uma série de coisas pelo outro.

No entanto, existem alguns sintomas que deve ser observados para que não haja prejuízo para os envolvidos no relacionamento.

É bom lembrar o seguinte:
É como o consumo de álcool que é uma droga aceitável e consumida socialmente. No começo você bebe e não percebe nada porque está dentro do normal, com o passar do tempo sua vida começa a girar em torno disso e você não percebe que está passando do limite.

Mas o sinal de alerta:
Se a pessoa se torna impulsiva e compulsiva no relacionamento (ciúmes exagerados, vigilância, medo de perder o outro, alegando ou insinuando traição, sem motivo, brigas constantes, etc), transformando o sentimento que devia ser agradável, em algo destrutivo, temos aqui uma alerta que, se não houver o redirecionamento, pode ocasionar tragédias como crimes e suicídios.

QUEM É MAIS AFETADO?
O amor patológico pode atingir principalmente as mulheres com mais de 30 anos e que não têm um relacionamento estável.

Isso acontece pelo fato de as mulheres estão mais seletivas e depois de determinada idade, quando encontram um parceiro, ficam doentes por ele e são capazes de fazer tudo para não perder essa relação.

No entanto, esse amor doentio não fica restrito a relação homem-mulher. 

Pode atingir também pais, irmãos, filhos e amigos.

Algumas mães gostam tanto dos filhos que acabam com o relacionamento amoroso deles e alguns amigos têm ciúme doentio pelo outro.

No caso dos homens, o amor doentio sempre chega a ser mais destrutivos, devido a cultura estabelecido, aonde alguns homens acreditam que são donos de suas companheiras, levando-os a causar muitas vezes agressões físicas e até mesmo crimes passionais.

SINTOMAS DO AMOR PATOLÓGICO
Quando se estuda o assunto a fundo, podem-se observar os seguintes sintomas:
A ausência da pessoa amada causa:

  • Angústia;
  • Taquicardia;
  • Suor frio;
  • Falta de apetite;
  • Insônia;
  • Pensamentos de traição fixos;
  • Dores no corpo;
  • Febre;
  • Perda de peso;
  • Tontura;
  • Falta de interesse por outras atividades;
  • Choro constante;
  • Desespero incontrolável;
  • Perseguição constante;
  • Desconfiança sem motivo;
  • Ameaça de depressão;
  • Ameaça ou tentativa de suicídio;
  • Uso excessivo do celular, na tentativa de controlar o outro, saber onde ele, ou ela estar;
  • Estado de alerta quando a pessoa amada atende o celular;
  • Ideias obsessivas;
  • Dúvidas obsessivas.


Outros:

  • Preocupação excessivamente com o outro;
  • Atitudes para reduzir ou controlar o comportamento do outro;
  • Controle das atividades do companheiro (a);
  • Abandono de interesses e atividades antes valorizadas;
  • Ameaças físicas;
  • Agressão física;
  • Ameaça de morte;
  • Tentativa de homicídio.


É bom lembrar-se de uma coisa: a pessoa que sofre de paixão obsessiva só se sente feliz junto a outra pessoa, a felicidade dele se restringe ao outro, se o outro vive e estar do seu lado, ele é feliz, senão isso não acontece ele é infeliz.

PERFIL DE PESSOAS QUE TEM UMA TENDÊNCIA PARA DESENVOLVER O AMOR PATOLÓGICO
Pessoas controladoras.
Elas têm uma obsessão pela posse do outro, querem controlar a pessoa em todos os sentidos, comprometem a liberdade do outro completamente.

Pessoas que não aceitam rejeição ou não.
Qualquer sinal de rejeição, ela usa de artimanhas, ou então usa de agressividade. No primeiro caso, se faz de doente, ou então promete que vai morrer etc. No segundo caso, despreza ou então usa de agressividade verbal ou física.

Pessoas muito carentes, inseguras e dependentes.
Essas pessoas tem uma necessidade exagerada do outro, querem sempre o outro para lhe servi de apoio, elas não sabem viver sozinha, não confiam em si, logo, jogam no outro toda a atenção.

Elas precisam do outro para se reafirmar.

Pessoas com baixa-autoestima
Pessoas com baixa-autoestima tem uma tendência muito grande para desenvolver o amor patológico.

Normalmente as pessoas com baixa-autoestima tem uma soma de tudo aquilo que acabei de mencionar, elas são carentes, inseguras, dependentes, ansiosas e tem uma enorme dificuldade de viver sozinhas.

No entanto, é bom dizer que nem um de nós se encontra isento de desenvolver o amor patológico, pessoas que nós julgamos como equilibradas podem em algum momento de sua vida, desenvolver esse sentimento doentio em seu relacionamento.

ATÉ ONDE PODEM CHEGAR AS PESSOAS QUE SOFRE DE PAIXÃO OBSESSIVA?
As pessoas obsessivas não vão respeitar limites. Este é um sinal clássico de advertência durante a fase do namoro casual, sem compromisso (ou o “ficar”). 

Dai o cuidado que se deve ter:
Você pode definir um limite viável para o seu parceiro, como não ligar após as 11 da noite ou não te visitar no trabalho. 

Uma vez que alguém decide ativamente a não respeitar a sua privacidade ou pedidos razoáveis, ele ou ela atravessou um grau no comportamento obsessivo.

Pessoas obsessivas muitas vezes se tornem verdadeiros descobridores de fatos. 
Uma coisa é um parceiro saudável pesquisar o livro anual da sua escola ou perguntar a membros da família sobre sua infância, mas uma personalidade obsessiva não vai parar aí. 


Cuidado que se deve ter:
Se ele ou ela realizar intensas buscas on-line ou procurar a família e os amigos para entrevistas detalhadas, ou ainda entra em contato com antigos parceiros para descobrir ainda detalhes mais íntimos, você deve cuidar, disso o mais rápido possível. Não alimente, corte isso rápido.

Pessoas obsessivas muitas vezes vão imitam seus parceiros emocionalmente.
Se você estiver tendo um mau dia, o seu parceiro também parecerá especialmente deprimido. Se você estiver satisfeito, ele ou ela pode estar delirando. 

Quando a linha da obsessão é cruzada, cada aspecto da vida saudável do parceiro torna-se um gatilho para o parceiro obcecado.

Pessoas obcecadas copiam as roupas, comer os mesmos alimentos, ver os mesmos programas televisivos ou desenvolve os mesmos hobbies como o objeto de sua obsessão. 

Eles muitas vezes esperam que o seu parceiro fique lisonjeado por esta imitação, mas isso muitas vezes surge como uma tentativa desesperada de manter esse relacionamento pouco saudável. 

Cuidado que se deve ter:
Aqui todo cuidado é pouco. Deixe claro para ele ou ela que você não deixou de ser você por estar com ele ou com ela.

A auto anulação é sempre destrutiva, pois quando você quer tomar conta da sua vida, você não consegue mais.

A pior coisa que pode acontecer com pessoas obsessivas é um encontro com a verdade. 

Um romântico rompimento é uma coisa dolorosa para a pessoa, mesmo as mais saudáveis, mas para um obsessivo, se assemelha à morte. 

As primeiras semanas na sequência de um término podem ser as mais perigosas para o parceiro saudável. 

As pessoas obsessivas tem a ideia do amor eterno, o que implica em dizer que, se ele ou ela lhe amou aqui, em vida, ele ou ela também pode lhe amar na morte. Pois afinal você jurou pra ele, ou ela amor eterno.

Como é que interpreta uma pessoa obsessiva? Juramento eterno. Já que é minha, ou meu, não será de ninguém.

Quando há uma possibilidade de término, ele interpreta que tudo acabou que você rompeu o juramento, longo merece o desprezo e a morte. É aqui que acontece o crime passional.

Cuidado que se deve ter:
A melhor coisa que você pode fazer é sugerir orientação profissional antes que eles tenham a oportunidade de machucar você ou eles próprios. 

Paixão obsessiva é uma verdadeira doença mental, então não deve ser considerada algo leve.

AS CAUSAS
Quando estudamos a questão vamos descobrir teorias. 

Uma delas é a teoria do apego. 

Para os pesquisadores dessa teoria, o amor patológico ou paixão obsessiva tem origem na relação da mãe com o filho e em sua disponibilidade para suprir as necessidades emocionais da prole em situações estressantes, principalmente em casos de separação.

Segundo essa teoria existe três tipos de apego: o seguro, o rejeitador e o ansioso ambivalente.

Apego seguro
No apego seguro, a mãe é sensível às necessidades da criança e promove confiança de que os pais estarão disponíveis, caso ela se depare com uma situação amedrontadora. 

A pessoa, então, se sente encorajada a explorar o mundo, estando apta a vivenciar o amor saudável durante a vida adulta.

Apego rejeitador
No apego rejeitador, há constante rejeição por parte da mãe quando a criança procurava obter proteção, gerando falta de confiança de que terá ajuda quando precisar. 

A pessoa passa a tentar viver sem amor e sem ajuda dos outros, ou seja, tornar-se emocionalmente autossuficiente.

Apego ansioso ambivalente
Para a pessoa com apego ansioso ambivalente, os pais estiveram disponíveis em algumas situações e não em outras, levando o bebê a vivências de separação e ameaças de abandono, usadas pelo pai como meio de controle. 

Isso gera incerteza quanto à disponibilidade dos pais e, consequentemente, à ansiedade de separação no relacionamento adulto.

Como psicanalista, na prática de consultório, tenho observador que dificuldades emocionais no relacionamento com os genitores.

Carência paterna e ou carência materna, nos primeiros anos de vida da pessoa, quando não, dificuldade na resolução do complexo de Édipo.

TRATAMENTO
O amor patológico só é possível ser tratado quando a pessoa admite que esteja fora de seu controle.

Normalmente as pessoas costumam procurar ajuda de um especialista somente quando o relacionamento acaba ou existe a ameaça de perder o parceiro e com muita insistência.

Quando o amor vira doença muitas vezes ele vem associado a quadros de depressão, fobias - como a síndrome do pânico - e ansiedade.

Por isso, a terapia é indispensável.

O tratamento pode ser feito com um Psicanalista, Psicólogo ou Psiquiatra. Em algumas situações a pessoa precisa dos três.

A meditação pode ajudar nos casos graves, onde a pessoa fica totalmente fora de controle e com suas atividades prejudicadas.

No entanto é bom destacar que a pessoa só tem possibilidade de se  tratar se concordar em ter uma mudança de atitude.

DICAS QUE PODEM AJUDAR PESSOAS QUE SOFREM COM O AMOR DOENTIO
Goste mais de você antes de gostar do outro;
Não escolha um parceiro com o objetivo de preencher um vazio;
Encontre prazeres na vida (esporte, trabalho, hobby, amigos, família);
Se conheça melhor e analise o que realmente quer para sua vida e que tipo de relacionamento quer manter;
Tenha consciência de que um parceiro vem para acrescentar coisas a sua vida, que se trata de um cúmplice e não de “um tapa buraco”;
Aprenda a estar sozinho, ser feliz sozinho.


Postar um comentário